Temendo ataques, Paquistão celebra 60 anos de independência

O Paquistão celebrou na terça-feiracom fogos e hasteamento de bandeiras os 60 anos de suaindependência em relação à Grã-Bretanha, mas os problemaspolíticos e o medo de atentados inibiram as festividades emvárias cidades. O presidente Pervez Musharraf enfrenta um dos pioresmomentos de seu governo, iniciado com um golpe em 1999. Há umacrescente resistência de políticos a um segundo mandato para opresidente, além do crescimento da violência islâmica quepreocupa seu principal aliado internacional, os Estados Unidos. Em julho, as forças do governo invadiram uma mesquita dacapital onde havia militantes entrincheirados, levando à mortede 102 pessoas. Houve retaliações com ataques em todo o país. A terça-feira começou com uma salva comemorativa de 31tiros em Islamabad e de 21 tiros nas capitais de quatroprovíncias paquistanesas. Milhares de pessoas viram a queima de fogos à meia-noite emRawalpindi. Em Lahore, soldados hastearam a bandeirapaquistanesa na fronteira com a Índia, enquanto cerca de 200pessoas davam vivas ao Paquistão. Mas um boato de bomba perto do mausoléu do fundador doPaquistão, Mohammad Ali Jinnah, causou tensão entre centenas depessoas que queriam participar das celebrações na cidadeportuária de Karachi. "Venho aqui todo ano com minha família, mas havia medodesta vez devido a ameaças de bombas no país inteiro", disseMohammad Yaqoob. Explosivos detonados em Karachi danificaram uma importantetorre de transmissão elétrica, e a polícia conseguiu retirarexplosivos de duas outras torres. Em Islamabad, a preocupação com a segurança fez com quedesta vez a comemoração da independência fosse mais discreta,sem as luzes e bandeiras de anos anteriores. Também na Província da Fronteira Noroeste, onde há áreastribais que servem de refúgio para militantes do Taliban e daAl Qaeda, o medo da violência fez com que pouca gente saísse decasa. Em Quetta, capital do Baluchistão, as celebrações tambémforam discretas. Os jornais ficaram cheios de artigos analisando os 60 anosdo país. Muitos citaram uma "orgia de pessimismo", como disseum comentarista, devido aos vários anos de regimes militares edificuldades com a democracia. "De verdade, fizemos erro atrás de erro, cometemosterríveis crimes contra nosso próprio povo", disse o editorialdo jornal Dawn. "Tudo dito e feito, houve progressos, emboraevidentemente o ritmo poderia ter sido mais rápido."

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