EFE
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Temendo intervenção, Maduro evita termo ‘crise humanitária’  

Chavismo recusa ajuda externa por acreditar que definição pode ser usada como pretexto para derrubar governo

Jamil Chade CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

21 Setembro 2018 | 05h00

O governo de Nicolas Maduro e seus aliados em Moscou e Pequim vem fazendo forte pressão nos bastidores para impedir que a crise na Venezuela seja declarada como “humanitária” e recusando alimentos e remédios para não parecer que o Estado está em colapso. O temor é de que a ajuda externa seja utilizada como um pretexto para justificar uma intervenção externa. 

Fontes de alto escalão da ONU confirmaram ao Estado que enviados de Caracas têm informado às entidades, secretamente, sobre a necessidade de comida e remédio. O problema é que, se aceitarem a ajuda internacional, eles temem a abertura de uma brecha para que o país seja alvo de um golpe. 

Nos últimos dias, o tema reapareceu. O secretário-geral da OEA, Luis Almagro, admitiu a possibilidade na semana passada, durante visita à Colômbia. Nos EUA, o New York Times revelou que Donald Trump chegou a tratar do assunto. 

Por isso, nos bastidores, os aliados do chavismo já avisaram que rejeitam a ideia de crise “humanitária”. 

Uma das missões enviadas por Maduro esteve em Genebra, onde o chanceler Jorge Arreaza se reuniu com os diretores das principais agências da ONU. Publicamente, ele negou a existência de um problema humanitário ou de refugiados. 

“Eles precisam de ajuda, mas não podem chamar a crise de humanitária”, afirmou uma fonte da ONU, que pediu para não ser identificada. Diplomatas consultados pelo Estado dizem que, após a Guerra Fria, a ideia de intervenções humanitárias ganhou força na ONU. Nos anos 90, o “direito à intervenção humanitária” foi levantado pelo Reino Unido no debate sobre o Iraque. A Otan usou o mesmo argumento em Kosovo. 

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