Temendo repressão na Síria, famílias fogem de Hama

Cidade, cercada por tropas sírias, sofre violenta repressão desde o começo da semana

AE, Agência Estado

07 de julho de 2011 | 10h47

NICÓSIA - Cerca de cem famílias fugiram da cidade de Hama, no centro da Síria, temendo a repressão militar após grandes protestos recentes contra o regime do presidente Bashar Assad, afirmou hoje o Observatório Sírio pelos Direitos Humanos. Segundo o grupo, nas últimas horas cerca de mil pessoas deixaram Hama, onde as tropas sírias mataram 23 civis desde a última terça-feira.

 

 

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A multidão seguiu para Salamiyah, cidade a 30 quilômetros de Hama e 210 quilômetros ao norte de Damasco, capital do país. As autoridades atuam para reprimir os protestos em Hama, tradicional foco de oposição ao governo central, e posicionaram tanques nas entradas principais da cidade, exceto no norte.

Ammar Qurabi, chefe da Organização Nacional pelos Direitos Humanos, disse hoje que a situação está piorando em Hama, com operações de busca, homicídios e prisões na cidade. O jornal Al-Watan, próximo do regime, afirmou que o quadro em Hama era calmo e as barricadas nas ruas haviam sido desmanteladas.

 

O diário disse que autoridades disseram aos manifestantes para evitar confrontos e deixar as ruas desimpedidas, para que os moradores possam trabalhar, de maneira a evitar uma operação militar como "último recurso".

 

Tortura

 

A Anistia Internacional acusou ontem o governo do presidente sírio, Bashar Assad, de crimes contra a humanidade durante a repressão aos protestos pró-democracia que ocorrem no país há quase quatro meses. A organização afirma ter provas de inúmeros casos de prisões arbitrárias, torturas e mortes de manifestantes sob custódia das autoridades sírias.

 

Segundo o relatório da Anistia, os abusos das forças de Assad ocorreram na cidade de Talkalakh, próxima à fronteira com o Líbano, em maio. A organização pediu que o Conselho de Segurança da ONU acuse o regime sírio formalmente no Tribunal Penal Internacional.

 

O relatório divulgado ontem poderá aumentar a pressão da comunidade internacional sobre regime de Assad. Entidades de direitos humanos afirmam que 1.350 manifestantes e 350 agentes do governo foram mortos desde o início da revolta.

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