REUTERS/Tyrone Siu
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Temendo segunda onda de coronavírus, Ásia aumenta confinamento

Região chinesa determinou que 600 mil habitantes fiquem em casa após aumento de casos confirmados

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de abril de 2020 | 12h30

Pequim - Os países asiáticos que começaram a sentir uma esperança hesitante de que suas respostas à pandemia de coronavírus tenham surtido efeito, agora estão enfrentando a possibilidade de uma segunda onda de contaminações, provocada pela volta de moradores para casa em meio ao fechamento de fronteiras e ordens de quarentena.

À medida que o número diário de casos confirmados começa a aumentar novamente, e novas evidências de casos assintomáticos geram medo de transmissão involuntária, muitos agora adotaram medidas muito mais rigorosas.

Foi o caso do departamento de Jia, no centro da China, onde 600 mil pessoas foram confinados após a descoberta de um caso de Covid-19.

A China, o berço do novo coronavírus, parece ter retardado a epidemia em grande parte. No entanto, as autoridades estão preocupadas que a doença retorne, principalmente do exterior.

O departamento de Jia, localizado a cerca de 800 km de Pequim, na província de Henan, anunciou na quarta-feira que seus habitantes não poderiam mais deixar suas casas sem autorização.

 

Segundo uma diretiva publicada on-line, apenas pessoas com uma permissão especial podem continuar a trabalhar e os veículos só podem circular em dias alternados dependendo da placa. 

Uma mulher que visitou o departamento apresentou resultado positivo para a Covid-19 após contato com uma pessoa assintomática, segundo as autoridades da província. 

Nesta quinta-feira, a China registrou 55 novos casos de pessoas que contraíram o novo coronavírus, mas assintomáticas.Segundo o balanço oficial, o novo coronavírus infectou pelo menos 81.589 pessoas na China, causando 3.318 vítimas fatais.

Na China continental, o surto inicial, que matou milhares de pessoas diminuiu, mas continua a haver preocupação com as pessoas que voltaram para casa do exterior e com os estrangeiros, que foram proibidos de entrar no país, incluindo aqueles com visto de residência. As restrições foram levantadas em Hubei, mas em todo o país os movimentos das pessoas são policiados por um aplicativo de saúde com código de cores - verde tem circulação livre, laranja e vermelho circulação restrita.

Um estudo publicado no Lancet Public Health Journal disse que as restrições extremas em  Wuhan ajudaram a controlar o surto, e que levantá-las agora poderá provocar uma segunda onda em agosto.

Controle difícil

Jason Kindrachuk, professor assistente e diretor do departamento de microbiologia médica e doenças infecciosas da Universidade de Manitoba, disse ao jornal britânico The Guardian que é difícil saber como a vida diária pode voltar ao normal até que haja uma vacina e até que os governos saibam quais são os níveis de imunidade na população. 

"A preocupação com esse vírus ... é como reduzir as medidas de distanciamento social e a imposição de tal maneira que você não reacenda as cadeias de transmissão do vírus e se encontre de volta à estaca zero com a tentativa de conter as coisas", disse ele.

Um dos primeiros afetados pelo vírus, Hong Kong já havia fechado escolas e alguns prédios e parques, mas nunca decretou um bloqueio total.

Agora, proibiu a chegada de estrangeiros, determinou o fechamento de algumas lohas e a restrição de reuniões a no máximo cinco pessoas, além de reforçar testes, abrir centros de quarentena e determinar a prisão de quem não seguir as regras. As pulseiras de rastreamento garantem que as pessoas que se isolam obrigatoriamente não saiam de casa.

Falando para o jornal britânico The Guardian, o professor Ben Cowling, epidemiologista da escola de saúde pública da Universidade de Hong Kong, disse que, embora Hong Kong possa alegar ter prevenido uma epidemia até agora, ainda existe o risco de ocorrer uma com os viajantes que chegam.

Hong Kong nunca viu mais de 11 casos confirmados em um dia durante os estágios iniciais do surto. Depois que milhares de pessoas voltaram para casa, o número agora está regularmente acima de 50, e o sistema de saúde do território autônomo está pressionado.

A resposta de Taiwan à pandemia é considerada uma das mais bem-sucedidas do mundo. Mantém uma proibição de entrada de estrangeiros e, com sua taxa de infecção ainda baixa - cerca de 330 casos.

Cingapura também é considerada um exemplo de boas práticas, mas está enfrentando uma segunda onda potencial. Em meio a alertas de crescente "complacência" da comunidade, todas as quatro mortes de Cingapura e mais de 60% de seus cerca de 1.000 casos confirmados ocorreram nas últimas três semanas.

Cingapura introduziu multas e penas de prisão para quem violar ordens de permanência em casa, baniu todos os viajantes e trânsitos internacionais de curto prazo, cancelou reuniões em massa e locais fechados, locais de culto e centros de ensino.

Nesta semana, anunciou que todos os portadores de passe de longo prazo precisavam de aprovação antes de entrar no país e cancelou o passaporte de um cidadão que desrespeitou as ordens de ficar em casa.

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Os relatórios diários de casos do Japão cresceram lentamente entre janeiro e fevereiro, chegando a mais de 50 no mês passado. Embora tenha ocorrido um grande surto, Tóquio se tornou uma preocupação, registrando números recordes de casos por quatro dias consecutivos no final de março.

As medidas de distanciamento e bloqueio social do país parecem muito mais frouxas que a de seus vizinhos e houve acusações de sub-testes e especulações de que o número de pessoas infectadas é muito maior do que o relatado.


 

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