AP Photo/Ronald Zak
AP Photo/Ronald Zak

Temer e Santos repudiam crise na Venezuela e dizem que refugiados não preocupam

Temer afirmou que os dois países querem uma relação institucional de Estado para Estado 'mas não significa que patrocinemos o que está acontecendo na Venezuela sob o foco político'

Carla Araújo e Felipe Frazão, O Estado de S.Paulo

20 Março 2018 | 16h38

O presidente Michel Temer e o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, repudiaram publicamente nesta terça-feira a situação de crise humanitária na Venezuela e, em reuniões bilaterais, destacaram que a entrada de venezuelanos nos dois países é uma preocupação. “Esse êxodo dos venezuelanos para o Brasil e para a Colômbia perturba os países da América Latina”, disse Temer.

+‘Maduro tem usado oferta de diálogo para se aferrar ao poder na Venezuela’

Temer afirmou que os dois países querem uma relação institucional de Estado para Estado “mas não significa que patrocinemos o que está acontecendo na Venezuela sob o foco político”. “ Queremos a pacificação politica na Venezuela, a democracia plena nas eleições e a não agressão aos que se opõem ao regime que ora lá esta constituído”, completou o presidente brasileiro.

O presidente Juan Manuel Santos disse que troca informações e experiências com o Brasil para ajudar os venezuelanos que fogem da crise. A Colômbia é o principal destino migratório de cidadãos da Venezuela.  “Vamos apelar ao presidente (Nicolás) Maduro para que aceite a ajuda humanitária de vários países, entre eles, Brasil e Colômbia”, disse o presidente colombiano. “Não entendemos como recusam ajuda se a crise, parece muito claro, se agrava dia após dia”.

O presidente Colômbia cobrou uma maior troca de informações de inteligência para combate ao crime organizado transnacional, sobretudo o narcotráfico, que se aproveita das áreas de fronteira desguarnecidas. “A forma mais inteligência de combater o crime organizado é por meio da inteligência”, disse.

Santos destacou a cooperação brasileira na negociação para o acordo de paz com grupos guerrilheiros como as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), que pela primeira vez deixou a luta armada e participa das eleições no país, o ELN (Exército de Libertação Nacional) e também no pós-conflito, período de integração dos egressos da guerrilha na vida civil. Uma das ações é a busca e retira de minas explosivas em território colombiano. O presidente disse ter estabelecido a meta de acabar com as minas até 2021.

Acordos

Durante a cerimônia, os dois governos assinaram um memorando de entendimento para cooperação bilateral para micro, pequenas e medias empresas e artesanato. E também foi assinada uma declaração conjunta dos ministérios de comércio e indústria dos dois países para agilizar o comércio bilateral por meio de certificados de origem digital.

Segundo Temer, a maior demonstração de que o encontro entre os dois países foi produtivo é que a previsão é que a reunião durasse apenas uma hora, mas ultrapassou quase duas horas. “Foram discutidas questões de comércio, segurança publica e fronteiras”, disse o presidente brasileiro. “Queremos reforças cada vez mais nossas fronteiras”, completou.

Temer ressaltou ainda que na frente econômica os dois países registraram o aumento de 25% do comércio. “E há potencial para fazermos muito mais”, declarou. De acordo com o presidente, o Mercosul está próximo de concluir um acordo com a Colômbia. “Também patrocinaremos um acordo com o Mercosul para aliança com pacifico”, disse.

Santos, por sua vez, destacou a assinatura de acordos para agricultura familiar, artesanato e certificados digitais para o comércio. E ainda pediu o aumento, além do comércio, do investimento de dinheiro por meio de empresários brasileiros na Colômbia. Segundo Santos, no ano passado, colombianos investiram 300 milhões de dólares no Brasil, enquanto os brasileiros investiram 40 milhões de dólares na Colômbia. “Queremos fazer negócios. O investimento de vocês é bem-vindo”, disse Santos.

O presidente colombiano também afirmou que há um ingresso cada vez maior de turistas brasileiros na Colômbia e fez votos de que aumente o trânsito entre os países. E pediu cooperação na preservação ambiental e combate à mineração ilegal.

Os dois presidentes lembraram o acidente com o avião da chapecoense, em novembro de 2016. Temer agradeceu o apoio da Colômbia no resgate e cuidados com a deleção brasileira e o presidente Santos disse que a solidariedade do momento uniu os dois povos.  

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.