André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Temer falará sobre reforma da ONU em discurso na Assembleia-Geral

Presidente deve discutir também crise dos refugiados e programa de concessões do Brasil durante visita aos EUA

Lu Aiko Otta, /BRASÍLIA

14 de setembro de 2016 | 19h54

A reforma da Organização das Nações Unidas (ONU), a crise dos refugiados e o programa de concessões do Brasil estarão na agenda do presidente Michel Temer em sua segunda viagem ao exterior após a posse, desta vez para Nova York, onde fará, na terça-feira, seu discurso da assembleia geral das Nações Unidas.

 "A participação do presidente oferece um novo cenário para o reposicionamento que temos de buscar, e estamos fazendo, após esse momento delicado de política interna que vivemos", disse há pouco o embaixador Fernando Simas Magalhães, subsecretário-geral de Assuntos Políticos, Multilateralismo, Europa e América do Norte do Ministério das Relações Exterioreres. Ele não adiantou, porém, se Temer fará em seu discurso alguma referência ao processo de impeachment no Brasil ou às reações negativas no campo internacional.

A chegada do presidente está prevista para o domingo. Na segunda-feira, ele participará de uma reunião de alto nível sobre migrantes e refugiados convocada pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon. O ministro da Justiça, Alexandre Moraes, e o secretário de Justiça, Gustavo Sampaio, deverão participar como painelistas. 

Nessa reunião, deverá ser aprovada uma declaração política que dará início a uma discussão internacional sobre o tema dos refugiados. Nesse sentido, serão firmados dois pactos: um de compartilhamento de responsabilidades e outro que tratará de migrações seguras e ordenadas. O Brasil, lembrou o embaixador, tem um programa de concessão humanitária de vistos. Desde setembro de 2013, 2.300 pessoas já foram acolhidas e reconhecidas como refugiadas.

O discurso de Temer na ONU está programado para as 10 horas da terça-feira. Seguindo uma tradição que vem desde 1949, o Brasil será o primeiro país a discursar. A fala do presidente vai tratar do cenário econômico, do comércio internacional, das mudanças climáticas, do problema dos refugiados, da paz internacional e da reforma da governança das Nações Unidas.

Na quarta-feira, Temer deverá participar de outra reunião de alto nível, desta vez para depositar a ratificação, pelo Brasil, do Acordo de Paris sobre mudança do clima. O acordo, frisou Magalhães, foi aprovado pelo Congresso Nacional em prazo recorde. Segundo explicou, o acordo marca uma fase "mais ambiciosa" do regime multilateral de mudança de clima, desenvolvimento sustentável e erradicação da pobreza.

Também na quarta, o presidente participará de uma reunião com empresários promovida pelo Conselho das Américas e da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos.

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, falará sobre o novo momento econômico do País. O programa de concessões, aprovado ontem pelo Conselho do Programa de Parceiras de Investimentos (PPI), será apresentado. Num esforço concentrado para atrair investimentos, Temer vai reunir-se com um grupo de 20 a 25 ceos e gestores de fundos institucionais para apresentar as oportunidades no País. Depois, haverá um almoço com participação mais ampla de investidores.

Durante a passagem pelos Estados Unidos, Temer deverá também ter encontros bilaterais. Já estão confirmadas reuniões com os presidentes da Nigéria, Muhammadu Buhari, de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, e do Uruguai, Tabaré Vázquez. O presidente ainda receberá o chairman do Fórum Econômico Mundial, Klaus Schwab, que falará sobre a reunião de Davos.

O ministro das Relações Exteriores, José Serra, deverá reunir-se com os chanceleres da Rússia, Sergei Lavrov, da Itália, Paolo Gentiloni, do Canadá, Stéphane Dion, e de Angola, Georges Rebelo Chicoti, além da alta representante para assuntos exteriores da União Europeia, Federica Mogherini.  Haverá encontros também com chanceleres de países sul-americanos, mas ainda não estão totalmente acertados. 

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