Temor de novo terremoto espalha medo em cidade na China

Reporte de televisão local prevendo outro forte tremor em Chengdu deixa população em pânico

Reuters,

19 de maio de 2008 | 18h41

Dezenas de milhares de moradores de Chengdu, no sul da China, corriam pelas ruas em pânico nesta segunda-feira, 19, alarmados por um reporte da televisão local que previa que outro forte terremoto poderia atingir a região. Enquanto o país contabiliza quase 34 mil mortos pelo tremor de 12 de maio, o pandemônio provocado pela emissora mostrou como os ânimos da população estão afetados após o desastre e tremores secundários.  Veja também:China inicia luto por mais de 34 mil mortos em terremotoBrasil doa US$ 200 mil em produtos Ouça o relato da jornalista Cláudia Trevisan  Mapa da destruição na China Entenda como acontecem os terremotos  Especial: antes de depois da tragédia Vídeo com imagens do terremoto Vídeo com imagens do resgate  Os carros se amontoavam nas ruas tentando sair de Chengdu, e pessoas carregando cobertores iam em direção à locais abertos temendo que outro terremoto de 8 graus de magnitude pudesse atingir novamente a arrasada província de Sichuan durante a noite. Nesta segunda-feira, o país de 1,3 bilhões de pessoas fez três minutos de silêncio pelas vítimas do desastre, o pior a atingir a China desde 1976. O número de feridos aumentou para cerca de 245 mil, e o número de mortes pode subir drasticamente - o Partido Comunista informou que cerca de 30 mil ainda estão desaparecidos. Acredita-se que outros cinco mil estão presos sob os escombros. A televisão e a rádio da província informaram que, além do terremoto que poderia varrer Sichuan, outro de 6 graus de magnitude poderia atingir Chengdu. "Eles citaram um departamento governamental, então todos seguiram para lugares abertos. Eu seria cauteloso se fosse você", disse um jovem. A maioria dos mortos pelo terremoto do dia 12, de 7,9 graus na escala de Richter, estava nas áreas montanhosas do oeste e leste de Chengdu. O governo apontou que as perdas econômicas só em Sichuan são de US$ 9,6 bilhões. 'Pior que a guerra' "Eu acho que os três minutos foram importantes porque significaram que todos, do governo central a cada uma das pessoas, estão pensando em nós. Porque isso é pior que uma guerra", disse He Ling, policial da cidade de Pingtong, que ficou quase completamente destruída pelo terrremoto. Até as equipes de resgate pararam os trabalhos em respeito às mortes. Enquanto isso, outro tremor chacoalhou a área e provocou um pequeno deslizamento de terra.  As sirenes da defesa civil, dos carros, trens e navios soaram como um lamento no país inteiro, para marcar o aniversário de uma semana do desastre. Bandeiras foram hasteadas a meio mastro e os cinemas foram impedidos de exibir filmes durante a manhã.  Em Beijing, o presidente chinês, Hu Jintao, e os altos líderes do governo colocaram flores brancas no peito e saudaram as vítimas em silêncio. Próximo à região, em Tiananmen Square - onde protestos de estudantes pró-democracia entraram em choques com o Exército em 1989 - cerca de mil pessoas marchavam com bandeiras levando mensagem patrióticas, cantando 'Go China Go' e 'Reconstrua Sichuan.' Sobreviventes As autoridades disseram que as equipes de resgate alcançaram as áreas mais remotas da província nesta segunda, mas as estradas de cerca de 50 cidades e vilas afetadas continuam bloqueadas por pedras e deslizamentos. Mais de 200 trabalhadores de ajuda em cinco veículos foram soterrados por deslizamentos no fim de semana enquanto tentavam sair das áreas atingidas pelo terremoto, informou a agência oficial Xinhua. Foto: APUma grande euforia pôde ser vista quando uma mulher foi encontrada viva embaixo de uma massa de concreto. Mas atualmente a maioria das equipes tem a tarefa de resgatar corpos em decomposição.  Dezenas de corpos foram retirados de entulhos em Beichuan, enquanto os funcionários espalhavam cal e desinfetantes para prevenir doenças.  Outros esforços de prevenção foram ordenados pelo primeiro-ministro Wen Jiabao.  Ainda nesta segunda-feira, o ministro do Exterior fez um apelo à comunidade internacional pedindo mais barracas para os quase 4,8 milhões de pessoas que perderam suas casas após o terremoto.  Até agora, cerca de US$ 1,55 bilhão foi enviado por doadores do exterior, informou a China.

Tudo o que sabemos sobre:
Chinaterremoto

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.