''Temos a chance de reduzir as diferenças''

Em entrevista, Obama diz que sua eleição representa avanço dos negros

REUTERS, AFP, WP E NYT, O Estadao de S.Paulo

20 de janeiro de 2009 | 00h00

O presidente eleito dos EUA, Barack Obama, que durante a campanha evitou enfatizar a questão racial, disse em entrevista publicada ontem pelo jornal The Washington Post que o fato de ele ser negro pode ser uma oportunidade para reduzir as diferenças e transformar o país. "Há toda uma geração que crescerá achando natural que o posto mais importante do país seja ocupado por um negro. É uma mudança radical", disse Obama. "Ela muda a forma como as crianças negras olharão para si mesmas e muda o jeito pelo qual as crianças brancas verão as negras. E eu não subestimaria a força disso." Ontem, Dia de Martin Luther King, feriado nacional nos EUA, Obama participou de vários eventos sociais em homenagem ao ativista negro, assassinado em 1968, aos 39 anos, após lançar o movimento por direitos iguais no país.O presidente eleito visitou soldados feridos no hospital militar Walter Reed, na periferia de Washington, e pintou de azul uma parede da Sasha Bruce House, instituição de caridade para moradores de rua e adolescentes da capital.SONHOObama também aproveitou para prestar uma homenagem ao reverendo, afirmando que sua posse hoje permitirá "renovar a promessa" do sonho americano. "Amanhã (hoje), vamos nos reunir na esplanada onde o sonho de Martin Luther King continua vivo. Por isso mesmo, reconhecemos que aqui, nos EUA, nossos destinos estão intrinsecamente ligados", disse.De acordo com uma pesquisa divulgada ontem pela rede CNN, para a maioria dos negros americanos, a eleição de Obama foi a realização do sonho de King de pôr fim à divisão racial nos EUA. De acordo com a sondagem, 69% dos negros afirmaram que o sonho de King realizou-se após 45 anos de seu famoso discurso I have a dream ("Eu tenho um sonho"), em 1963. Segundo a mesma pesquisa, porém, o número de brancos que acreditam que o sonho do ativista negro tornou-se realidade é menor: 46%.OTIMISMOApesar da grave crise econômica, Obama tem batido recorde de confiança e otimismo entre os americanos. De acordo com pesquisa do jornal The New York Times, 79% dos americanos dizem estar "otimistas" com os próximos quatro anos de Obama como presidente, um porcentual muito superior ao registrado por seus últimos antecessores. Segundo o jornal, 64% sentiam-se otimistas na época da posse de George W. Bush, em 2001. Quando Bill Clinton assumiu, em 1993, 70% dos americanos estavam otimistas. Com George Bush pai, em 1989, eram 68% de otimistas, porcentual parecido com o de Ronald Reagan (69%), em 1981, e de Jimmy Carter (70%), em 1977.

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