'Temos de deixar os inspetores trabalhar', diz Luiz Alberto Figueiredo

Chanceler brasileiro quer que análise da ONU sobre uso de armas químicas na Síria seja conhecida antes de qualquer ação militar

Entrevista com

Jamil Chade, O Estado de S. Paulo

09 Setembro 2013 | 02h04

GENEBRA - O Itamaraty está pronto para retirar cidadãos brasileiros que ainda estejam na Síria, no caso de um ataque nos próximos dias. Quem garante é o novo ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo Machado. Em entrevista ao Estado, o chanceler que assumiu a função no dia 28 afirma que acaba de enviar uma missão para a Síria para identificar os brasileiros e os ajudar, caso eles queiram sair. Figueiredo insistiu que o Brasil é contra uma intervenção sem o aval do Conselho de Segurança da ONU. Eis os principais trechos da entrevista, concedida em Genebra, onde participa da posse de Roberto Azevedo na direção da OMC:

Qual a posição do Brasil diante do que ocorre na Síria?

LUIZ ALBERTO FIGUEIREDO - A presidente reafirmou nossa posição durante o G-20 em São Petersburgo. Nós denunciamos fortemente qualquer uso de armas químicas. Trata-se de algo hediondo. Não há desculpa para uso dessas armas.

E qual a avaliação da diplomacia brasileira sobre uma intervenção estrangeira?

LUIZ ALBERTO FIGUEIREDO - Temos de deixar os inspetores da ONU trabalhar. E ver quais são as conclusões a que eles vão chegar.

Qual o papel do Conselho de Segurança nessa crise?

LUIZ ALBERTO FIGUEIREDO - A partir da conclusão desses trabalhos, o Conselho tem que se reunir novamente, examinar o relatório e decidir o que fazer. Do nosso ponto de vista, o uso da força nas relações internacionais só pode acontecer com a aprovação do Conselho. Obviamente, como a Carta da ONU também diz, como autodefesa. Mas, no caso de um ataque, só autorizado pelo Conselho.

O que o Brasil pretende fazer para resguardar a proteção aos brasileiros que ainda estejam na Síria?

LUIZ ALBERTO FIGUEIREDO - Sobre os brasileiros na Síria, já estamos tomando providências. Uma missão já foi até lá conversar na embaixada. Temos os contratados locais que estão tomando conta da nossa embaixada em Damasco e alguns têm dupla nacionalidade. Acabamos de enviar uma missão de Beirute para Damasco para consultá-los sobre as possibilidade de retirá-los de la.

O que sr. espera da resposta do governo Obama até quarta-feira, no que se refere à espionagem?

LUIZ ALBERTO FIGUEIREDO - Sobre isso eu não vou falar. A presidente já falou e não me cabe acrescentar nada.

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