Noah Berger/Reuters
Noah Berger/Reuters

Tempestade esfria protestos raciais na Califórnia

Polícia prendeu manifestantes em Berkeley e em Oakland; repórter do 'Estado' também foi detido

HERTON ESCOBAR, ESPECIAL PARA O ESTADO, BERKELEY, EUA, O Estado de S.Paulo

12 de dezembro de 2014 | 02h01

Só mesmo uma tempestade para acalmar os ânimos na região de San Francisco, após cinco noites seguidas de protestos e confrontos com a polícia nas ruas de Berkeley e Oakland - duas cidades com um longo histórico de revoltas e manifestações populares. Na noite de quarta-feira, um policial à paisana foi identificado por manifestantes, atacado e sacou sua arma para se defender.

O dia amanheceu com chuva e vento fortes na região ontem, causando alagamento de ruas, quedas de energia e paralisações do transporte público. Várias escolas cancelaram suas aulas e parte do comércio não abriu as portas, principalmente em San Francisco.

Os protestos são motivados pelas mortes de Michael Brown, no Missouri, e Eric Garner, em Nova York - ambos negros, mortos por policiais brancos. Nenhum policial foi processado criminalmente nos dois casos, reacendendo tensões raciais em várias partes dos EUA.

Em Berkeley e Oakland, manifestações envolvendo grupos de até 2 mil pessoas ocorreram todas as noites entre sábado e quarta-feira. Tipicamente, as manifestações começam na região central de Berkeley, onde fica o campus da Universidade da Califórnia, e caminham para o sul, na direção de Oakland, pela Avenida Telegraph.

A maior parte dos manifestantes é pacífica, mas grupos menores frequentemente entram em confronto com policiais. Houve vários incidentes de saques a lojas e vidraças quebradas. A polícia chegou a usar bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha.

Os manifestantes carregam cartazes pedindo o fim da violência policial, do racismo e a condenação dos policiais envolvidos nas mortes de Brown e Garner. Muitos, ao ver os policiais, cantam "Mãos ao alto, não atire", repetindo o gesto que teria sido feito por Brown antes de ser assassinado em Ferguson, no Missouri.

Na noite de terça-feira, manifestantes invadiram a rodovia I-80. Na quarta-feira, foi a vez da rodovia 24. Vários foram presos, incluindo o repórter do Estado, que fotografava as prisões na rodovia. O jornalista passou 2 horas algemado e foi levado com manifestantes para a sede da Polícia Rodoviária da Califórnia, em Oakland, até que a situação foi esclarecida e ele, liberado.

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