Kevin Coombs/REUTERS
Kevin Coombs/REUTERS

Tempestade Eunice atinge Europa e deixa quatro mortos

Fenômeno teve ventos de mais de 195 km/h e causou cancelamento de centenas de voos, trens e balsas

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de fevereiro de 2022 | 16h54

LONDRES - A tempestade Eunice atingiu o Reino Unido e a Irlanda nesta sexta-feira, 18, antes de se deslocar para o norte do continente europeu, deixando quatro mortos e grandes interrupções no transporte.

Centenas de voos, trens e balsas foram cancelados no noroeste da Europa devido aos fortes ventos de mais de 195 km/h, que bateram recordes no sul do Reino Unido, menos de 48 horas após a tempestade Dudley deixar pelo menos cinco mortos no continente.

Como resultado das violentas rajadas causadas pela tempestade Eunice, um homem de 60 anos morreu no sudeste da Irlanda ao ser atingido pela queda de uma árvore, informou a polícia.

Duas pessoas - uma delas em um carro - morreram pela queda de árvores na Holanda, de acordo com os serviços de emergência locais que elevaram seu nível de alerta ao máximo.

Na Bélgica, um homem de 79 anos que morava em um barco na marina de Ypres, no oeste do país, morreu ao cair na água, segundo a imprensa local.

Também nas costas do sul do Reino Unido a tempestade levantou uma onda violenta. Em Londres, as ruas ficaram quase desertas.

"Peço a todos os londrinos que fiquem em casa, não se arrisquem e não viajem a menos que seja absolutamente essencial", declarou o prefeito Sadiq Khan, alertando que "ventos extremamente fortes na capital podem provocar a queda de escombros e danos aos edifícios", colocando a vida de pessoas em risco. 

A London Eye, a roda gigante mais alta da Europa e a terceira maior do mundo com 135 metros de altura, permaneceu fechada para "a segurança dos visitantes".

O serviço meteorológico britânico havia colocado o sudoeste da Inglaterra e o sul do País de Gales em alerta vermelho - o nível mais alto - no dia anterior, mas esta manhã emitiu um segundo alerta máximo, desta vez para o sudeste do país, que pela primeira vez desde que este sistema começou a ser usado em 2011 inclui Londres. 

Mais de 70 mil casas ficaram sem eletricidade na Inglaterra e cerca de 80 mil na vizinha Irlanda.

As autoridades alertaram para o risco de inundações graves e um "risco particularmente alto" de acidentes nas rodovias e várias escolas permaneceram fechadas.

"Todos devemos seguir os conselhos e tomar precauções para nos manter seguros", tuitou o primeiro-ministro Boris Johnson, enquanto o secretário de Estado para a Segurança, Damian Hinds, pediu à população que "fique em segurança", enfatizando que o exército está pronto para lidar com o efeitos de Eunice, uma das tempestades mais violentas em três décadas.

Norte da Europa em alerta

Depois de atingir o Reino Unido, a tempestade se dirigiu para a Dinamarca, onde a Ponte Storebaelt, uma das mais longas do mundo, quase certamente permanecerá fechada durante a maior parte da noite, avisou seu operador.

Com ondas de quatro metros em sua costa atlântica, a França que colocou cinco departamentos em alerta laranja e sua operadora ferroviária anunciou interrupções em suas linhas regionais. 

Na Holanda, o serviço meteorológico emitiu um alerta vermelho e centenas de voos foram cancelados, segundo a mídia local. Os trens tiveram que permanecer parados à tarde.

O tráfego ferroviário também foi interrompido no norte da Alemanha e na Bélgica, onde o vento, de até 140 km/h, desprendeu uma parte do telhado do estádio de futebol de Ghent (Ghelamco Arena), fazendo com que um jogo da primeira divisão marcado para a noite de sexta-feira fosse adiado.

Também em Londres, as violentas rajadas rasgaram grande parte da lona que cobre o estádio O2 Arena, deixando imagens de devastação.

Embora as mudanças climáticas geralmente aumentem e multipliquem eventos extremos, seu impacto não é tão claro no caso de ventos violentos e tempestades (excluindo ciclones tropicais), cujo número varia muito de ano para ano. 

O último relatório dos especialistas em clima da ONU (IPCC), publicado em agosto, estima, com um grau de certeza muito baixo, que pode haver um aumento das tempestades no hemisfério norte desde a década de 1980. /AFP

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