Gregg Vigliotti/The New York Times
Gregg Vigliotti/The New York Times

Tempestade Ida faz Nova York declarar estado de emergência, e deixa mortos

Mesmo enfraquecido, furacão Ida causou fortes chuvas e alagamentos na cidade, ao menos 43 pessoas morreram nas enchentes

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de setembro de 2021 | 06h56
Atualizado 02 de setembro de 2021 | 19h22

NOVA YORK – A passagem do furacão Ida pelo Atlântico Norte continua causando fortes tempestades e inundações nos Estados Unidos. Nesta quinta-feira, 2, a cidade de Nova York foi atingida por fortes ventos e chuva, que quase interromperam o serviço de metrô, estilhaçaram casas em Nova Jersey e geraram um alerta de tornado no Bronx. Pelo menos 43 pessoas morreram na região que inclui os Estados de Nova York, Nova Jersey e Pensilvânia - muitas delas afogadas, dentro de suas próprias casas - e 150 mil pessoas estão sem energia elétrica.

Apenas na cidade de Nova York, 12 pessoas, com idades entre 2 e 86 anos, morreram durante a passagem do furacão Ida. Três dos mortos - um menino de 2 anos, uma mulher de 48 e um homem de 50 - foram encontrados em uma habitação subterrânea em Woodside, no bairro do Queens. Uma vizinha da família, que mora no terceiro andar da casa, disse que recebeu um telefonema da mulher, por volta das 21h40 da quarta-feira, 1º ( 22h40 em Brasília) .

"Ela disse: 'A água está entrando'. E eu disse:'Saia! Vá para o terceiro andar!", contou a vizinha, Choi Sledge. E completou: "A última coisa que ouvi deles foi 'a água está entrando pela janela'. E foi isso". Ela identificou as pessoas encontradas no local como Mingma Sherpa, seu parceiro, Lobsang Lama, e o filho dela, Ang.

Um cenário similar foi visto em Nova Jersey. Quatro pessoas morreram afogadas em um complexo de apartamentos subterrâneos, vizinho a um batalhão do Corpo de Bombeiros, que também ficou inundado. Outras três pessoas morreram em duas cidades do Estado após ficarem presas em seus carros durante as enchentes.

Quando a chuva inundou a cidade de Nova York na noite de quarta-feira, transformando ruas em rios e inundando estações de metrô, o prefeito Bill de Blasio declarou estado de emergência - pouco antes das 23h30 (00h30 desta quinta, em Brasília) - dizendo que a cidade estava "enfrentando um evento climático histórico" com "chuvas recordes em toda a cidade, enchentes brutais e condições perigosas em nossas estradas". Ele, assim como outras autoridades nova-iorquinas, alertaram os moradores a ficarem em casa.

Um dia depois da tempestade, no entanto, o resultado observado é desolador. A maioria dos nova-iorquinos que perderam a vida durante as enchentes foram encontrados em porões ou casas subterrâneas, que encheram de água por causa da tempestade. Quando o número de mortos na cidade chegou a 12, nesta quinta, policiais disseram que 11 dos mortos foram encontrados em residências do tipo porão.

O número de mortos na tempestade colocou em evidência o mundo sombrio dos apartamentos subterrâneos em Nova York. Embora os apartamentos no subsolo sejam uma característica dos bairros da cidade, e dezenas de milhares de pessoas - muitas delas imigrantes ou residentes de baixa renda que não podem pagar os aluguéis exorbitantes da cidade - procurem abrigo nelas, muitas vezes os locais não tem autorização para servir como residência e não atendem aos regulamentos de segurança ou de construção.

Não está claro se todas as casas onde as pessoas morreram durante a tempestade na quarta-feira eram unidades ilegais. Mas no caso do apartamento de Woodside, onde morreu a família de Mingma Sherpa, um certificado de ocupação mostra que o porão não foi aprovado para uso residencial.

Os registros da cidade também mostraram duas queixas de porões ilegais em 2012 para uma habitação no Queens, onde uma mulher de 86 anos foi encontrada morta. As reclamações foram encerradas depois que inspetores municipais não conseguiram acessar o local. Não se sabe ao certo quantos apartamentos no subsolo existem na cidade, já que muitos são ilegais.

Crise climática

O presidente americano, Joe Biden, disse na quinta-feira que as enchentes que inundaram a cidade de Nova York e os fortes ventos que deixaram centenas de milhares sem energia na Louisiana foram um sinal de que "tempestades extremas e a crise climática estão aqui". Segundo Biden, as manifestações climáticas extremas são "um dos grandes desafios do nosso tempo".

"O furacão Ida não se importava se você era um democrata ou republicano, rural ou urbano", disse Biden, instando o Congresso a aprovar sua agenda econômica ao retornar do recesso no final deste mês, a fim de fornecer investimentos essenciais em energia elétrica a infraestrutura. "Essa destruição está em toda parte. E é uma questão de vida ou morte, e estamos todos juntos nisso."

Em uma entrevista coletiva no Queens, na manhã desta quinta, a governadora de NY, Kathy Hochul, disse que recebeu uma ligação do presidente, que ofereceu ajuda, segundo ela, enquanto o Estado ainda avalia os danos reais.

Hochul, e o governador de Nova Jersey, Phil Murphy, declararam estado de emergência por causa da tempestade tropical, que atingiu os Estados Unidos como um furacão de categoria 4 no domingo, 29, exatos 16 anos após o Katrina.

Com ventos de 230 km/h, o Ida foi o 5º furacão mais forte da história a atingir o continente, segundo a agência de notícias Associated Press, e no começo da semana causou estragos e mortes na Louisiana, no Mississippi e no Alabama.

Pouco antes da 1h, a cidade emitiu uma proibição de viagens, em vigor até as 5h da quinta-feira. “Todos os veículos não emergenciais devem estar fora das ruas e rodovias de Nova York”, disse o escritório de gerenciamento de emergência no Twitter. Uma estrada que atravessa o Central Park estava pontilhada de carros que foram abandonados depois de ficarem presos nas enchentes.

Imagens compartilhadas nas redes sociais mostram o volume impressionante de água que atingiu o metrô nova iorquino.

A Autoridade de Transporte Metropolitano avisou os clientes em um alerta por e-mail, na noitede quarta-feira: “O serviço de trem é extremamente limitado, se não mesmo suspenso, por causa das fortes chuvas e inundações em toda a região”. O site do sistema mostrou que o serviço foi suspenso em mais de 18 linhas de metrô.

Todo o serviço ferroviário de Nova Jersey, com exceção da linha de Atlantic City, foi suspenso, disse o New Jersey Transit. O tráfego aéreo também foi suspenso na região.

 

/ NYT, AFP, AP e REUTERS

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