Tamir Kalifa/The New York Times
Tamir Kalifa/The New York Times

Tempestade Barry chega ao território americano como furacão

Emergência pública é declarada no Estado da Louisiana e fenômeno é classificado como 'mortífero' pelo Centro Nacional do Clima dos Estados Unidos; algumas regiões da cidade de Nova Orleans foram esvaziadas

Redação, O Estado de S.Paulo

13 de julho de 2019 | 05h07
Atualizado 13 de julho de 2019 | 17h50

NOVA ORLEANS, EUA - A tempestade Barry chegou no território americano neste sábado, 13, próximo de Intracoastal City. O fenômeno se transformou no primeiro furacão da temporada no Atlântico antes de tocar terra na Louisiana. No entanto, perdeu forças e voltou a ser classificado como tempestade tropical após tocar a terrra.

Os especialistas preveem amplas inundações devido às fortes chuvas e ressaca do mar, informou o Centro Nacional de Furacões (NHC) dos Estados Unidos.

No boletim divulgado às 10 horas (12 horas, em Brasília), o NHC indicou que Barry já era um furacão categoria 1 na escala Saffir/Simpson (que vai até cinco), com ventos sustentados de 120 km/h. O NHC informou que o ciclone estava localizado a 65 km da cidade de Lafayette e a 80 km de Morgan City.

Autoridades instaram os cidadãos a ficar em suas propriedade e estocar provisões. No entanto, alguns moradores nervosos optaram por fugir da cidade, e autoridades do turismo relataram um abrupto êxodo de visitantes de fora da cidade na sexta-feira. As retiradas obrigatórias foram ordenadas em áreas costeiras periféricas além da proteção de diques nas regiões vizinhas de Plaquemines e Jefferson, ao sul da cidade.

A Lousiana amanheceu sob chuvas em sua região costeira e mais de  100 mil residências e empresas ficaram sem energia por volta das 7 horas (5 horas, em Brasília), de acordo com o site de rastreamento PowerOutage.us.

Meteorologistas alertaram que chuvas torrenciais - até 60 cm em alguns lugares - poderiam causar inundações severas à medida que a tempestade se desloca para o interior do Golfo do México, onde as operadoras de petróleo e gás reduziram a produção em quase 60%.

O presidente dos EUA, Donald Trump, declarou estado de emergência para a Louisiana na sexta-feira, liberando assistência federal contra desastres, se necessário.

Neste sábado pela manhã, várias companhias aéreas suspenderam seus voos para a região.

A iminente tempestade poderia testar as defesas de inundação reforçadas desde a calamidade de 2005 do furacão Katrina, que deixou grande parte de Nova Orleans submersa e matou cerca de 1.800 pessoas.

Cidade fantasma

A pequena cidade de Morgan City, cerca de 140 km sudoeste de Nova Orleans, era a mais classificada a ser a primeira tocada pelo Barry. Ao percorrer pela manhã essa localidade, era possível ver os efeitos do fenômeno já que o rio Atchafalaya, que margeia a cidade, estava acima do nível e, em alguns pontos, já havia transbordado.

As ruas vazias, cheias de árvores caídas, atingidas por fortes rajadas de vento e encharcada pela chuva, deram a Morgan City a aparência de uma cidade fantasma.

A prefeita de Nova Orleans, LaToya Cantrell, pediu que seus habitantes se mantivessem em segurança. As autoridades da cidade impuseram um toque de recolher da noite de sexta-feira em diante em Nova Orleans e em outras cidades próximas.

Apesar de milhares de pessoas terem sido retiradas da região costeira na sexta-feira, alguns poucos decidiram ficar em suas casas e enfrentar a tempestade.

“Já ficamos antes em outros grandes furacões, por que deveríamos ir agora?”, questionou Keith Delahoussaye, um mecânico de 60 anos, na frente de seu motorhome em Port Sulphur, perto do rio Mississippi. “Mas, claro, que sairemos daqui se percebemos que o nível da água subiu.”

Mudança climática

Segundo a rede GSCC, que reúne profissionais de meteorologia de todo o mundo, o risco do Barry é diferente do Katrina: “Em 2005, cederam os diques na Costa. Desta vez, são os diques dos rios que serão postos à prova”.

“A temperatura na superfície da água do Golfo do México até acima da média e isso da força para que esse sistema se intensifique”, explicou Jill Trepanier, que estuda fenômenos climáticos na Universidade de Luisiana.

De acordo com essa especialista, Barry mostra um novo exemplo de mudança climática. “Uma temperatura quente do oceano e uma temperatura do ar acima da média são a receita para as fortes chuvas; Todas as condições acima da média são um sinal de mudança climática”, diz Jill.

História

Barry é o 50º furacão a atingir o estado de Louisiana desde 1851. Segundo dados da CNN, o fenômeno Barry indica que os Estados Unidos tiveram pelo menos um furacão em terra durante os últimos quatro anos - a última vez que um furacão atingiu o País dentro de quatro anos foi de 2002 a 2005. / CNN, REUTERS, EFE e AFP

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