Reginald LOUISSAINT JR / AFP
Reginald LOUISSAINT JR / AFP

Tempestade tropical chega ao Haiti após terremoto matar cerca de 1.400 pessoas

Enchentes e deslizamentos, causados pelos fortes ventos, podem agravar ainda mais a situação humanitária do país caribenho que já tem mais de 2,8 mil pessoas desabrigadas por conta dos tremores do último sábado

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de agosto de 2021 | 19h44

PORTO PRÍNCIPE- A situação humanitária do Haiti pode ficar ainda mais grave, nesta segunda-feira, com a previsão de chegada da tempestade tropical Grace, que se formou na região leste do Caribe e, segundo o National Hurricane Center dos EUA, deverá atingir a ilha hoje. As chuvas fortes podem causar enchentes e possíveis deslizamentos. A tempestade tropical chega após o Haiti ter sido devastado por um terremoto que atingiu a magnitude 7,2, no sábado, matando cerca de 1.400 pessoas e deixando cerca de 2,8 mil desabrigados.

O terremoto, que já é um dos dez mais letais dos últimos 25 anos na América Latina, foi registrado a cerca de 12 quilômetros da cidade de Saint-Louis du Sud, com um hipocentro de 10 quilômetros de profundidade. O tremor também foi sentido na República Dominicana e em Cuba. No início da noite de sábado, o Haiti foi atingido por um segundo terremoto, dessa vez de 5,9 graus. Vídeos divulgados nas redes sociais mostram centenas de prédios em ruínas.

Além da infraestrutura, como estradas e plataformas de trens, o terremoto danificou ou destruiu completamente igrejas, hotéis, hospitais e escolas, abrindo também as paredes de uma prisão.

A nação mais pobre das Américas ainda carrega as cicatrizes do terremoto de 2010, com sua infraestrutura e economia enfraquecidas. Prédios icônicos, incluindo a catedral de Nossa Senhora de Assunção, não foram reconstruídos, enquanto dezenas de milhares de pessoas ainda vivem em moradias provisórias.

Fonie Pierre, diretora do Catholic Relief Services na cidade de Les Cayes, disse que o terremoto de sábado foi tão forte que ela não conseguiu se mover e, enquanto estava em sua casa, teve flashbacks de 2010. Fonie havia viajado de Les Cayes para a capital dias depois do tremor e visto cadáveres amontoados na beira da estrada. “Isso me trouxe de volta à mente os cadáveres, a poeira branca das casas em ruínas”, disse. “Eu pensei: é isso, é a mesma coisa.”

Para piorar a situação do país arrasado pelo terremoto de 2010, em 2016 o furacão Matthew matou mais de 850 pessoas e deixou dezenas de milhares de desabrigados.

Na última década, o país chamou a atenção do mundo para a necessidade de ajuda financeira e humanitária, mas desde 2010 os esforços para reconstruir a nação foram prejudicados por um sistema de ajuda internacional ineficiente, por corrupção e turbulência política, segundo os especialistas.

Agora os desastres naturais acontecem em momento em que o país mal se recuperou do assassinato do presidente Jovenel Moïse, morto a tiros por homens armados que abrirem fogo com fuzis em sua residência particular em julho passado.

Depois de descrever a situação do terremoto como “dramática”, o primeiro-ministro haitiano, Ariel Henry, que assumiu o cargo há menos de um mês, declarou estado de emergência por 30 dias.

Os Estados Unidos enviaram suprimentos e organizaram uma equipe urbana de busca e resgate de 65 pessoas com equipamento especializado, anunciou Samantha Power, administradora da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional. Alguns haitianos afirmaram que passaram a noite de sábado dormindo ao ar livre, traumatizados pelas lembranças do terremoto de 2010, que atingiu mais intensamente a capital, Porto Príncipe.

O acesso às áreas mais afetadas ficou ainda mais complicado por causa da falta de segurança em um país em que as principais estradas de acesso a partes do Haiti estão nas mãos de gangues, embora relatos não confirmados nas redes sociais sugerissem que elas deixariam a ajuda passar.

Os fortes terremotos nesta região são recorrentes – há registros de 1887, 1842, 1770 e 1751. A falha geológica na linha leste-oeste do país se encontra na convergência de duas placas tectônicas. Nessa linha de falha, chamada de zona de falha Enriquillo-Plantain Garden, a placa do Caribe e a placa da América do Norte se movem lateralmente, ou lado a lado, cerca de um quarto de polegada por ano./ NYT e REUTERS

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