Tempestades de areia atrapalham soldados no Kuwait

Tempestades de areia atingiram o Golfo Pérsico pelo segundo dia consecutivo, impedindo que mecânicos das forças militares dos Estados Unidos substituíssem equipamentos já prejudicados pela areia levada pelo vento. No porta-aviões USS Kitty Hawk, a tripulação lavava com água a pista no convés para evitar que areia entrasse nas complexas turbinas dos aviões.O tempo turbulento tem tornado miserável a vida das tropas dos EUA, preparadas para um ataque contra o Iraque.Muito mais sério, entretanto, é o potencial desse fenômeno do deserto para atrapalhar a atividade militar, mantendo aviões em solo, enchendo de areia os armamentos e entupindo filtros de ar dos veículos. Grandes tempestades de areia formam imensas nuvens que tomam o ar na região do Golfo Pérsico nos meses de primavera e verão.Depois de uma forte tempestade ontem, soldados dos EUA acordaram hoje com uma espessa camada de areia em seus sacos de dormir, em seus cabelos, em seus olhos e sobre os lábios. Alguns fuzileiros navais tossiram durante todo o dia.A areia trazida pelos ventos fez latrinas deixarem de funcionar, acabou com a visibilidade e desarmou barracas."É a (tempestade) mais forte que já vi", comentou o sargento Thomas Humphries, de 40 anos.Humphries estava dentro de sua barraca fechada, de cerca de 30 metros de comprimento, quando a tempestade começou. Em segundos, ele não conseguia ver nada fora da barraca. Os marines no interior afundaram tanto os pinos da lona que soldados tinham de rolar no chão para poder entrar.Outros fuzileiros navais preparavam-se para testar um míssil javelin nas proximidades quando a tempestade chegou. Eles viajaram de volta num comboio que seguia extremamente devagar, usando óculos de visão noturna para conseguir enxergar as luzes traseiras dos veículos 1,5 metro na frente, e levaram cerca de duas horas para cobrir os 8 quilômetros até o acampamento.Muitos fuzileiros navais tiveram que limpar seus fuzis M-16 por todo o dia para garantir que a areia não irá impedir o funcionamento da arma. O soldado Edward Perez, de 20 anos, carregava uma arma calibre .50 que não funcionava mais, devido à entrada de areia.Duas outras tempestades, mais moderadas que a primeira, ocorreram na manhã de hoje, impedindo que mecânicos fizessem os trabalhos de manutenção - trocar filtros de ar, engraxar os veículos - que gostariam de executar depois da primeira tempestade. Outros retiravam repetidamente montes de areia de suas barracas.

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