Tempo para solução pacífica está se esgotando, diz membro do grupo de Amigos

Os países do grupo Amigos para Venezuela liderados pelo Brasil e os Estados Unidos, reconhecem que o "timing" do presidente venezuelano, Hugo Chávez, para uma solução pacífica, constitucional e democrática está se esgotando. Um representante desse grupo, do qual fazem parte ainda México, Chile, Espanha e Portugal, disse, com exclusividade à Agência Estado, que, dado o risco de uma violenta explosão social, dificilmente o país agüentará até agosto."Suponhamos que a reforma constitucional seja o caminho, ou até mesmo o referendo revogatório, previsto na Constituição, dificilmente a consulta popular ou campanha eleitoral poderãoavançar sem risco de explosão social até agosto no clima em queo país se encontra", afirmou essa fonte.Para esse qualificado interlocutor, a greve, embora parcial,já provocou cansaço nas duas partes (governo e oposição) e, nomeio disso, o povo venezuelano é quem está pagando caro. "Ou ogoverno da Venezuela encontra uma saída agora, ou se veráobrigado a lançar de instrumentos drásticos e duros para fazerfuncionar a economia do país. Ele (o presidente Chávez) faz isso ou cai", acrescentou essa fonte.Na quarta-feira, por exemplo, o governo decidiu suspender durante cinco dias úteis todo tipo de operações de câmbio aoreconhecer a grave situação fiscal e financeira do país, além dadeterioração das reservas internacionais, que caíram de US$ 12,5bilhões, antes da greve geral, para US$ 11 bilhões no iníciodesta semana. Além disso, a moeda venezuelana derreteu, passando de 1.250, bolívares por dólar para 2.220,00 bolívares (no mercado interbancário) nesse mesmo período.Fontes do Ministério de Finanças informaram que a política cambial da Venezuela, prevista para ser anunciada na terça-feirada próxima semana, ficou condicionada ao que venha a ocorrer nopaís no decorrer dos próximos cinco dias. Se a situação políticae social se complicarem, o Banco Central de Venezuela (BCV)deverá centralizar totalmente o câmbio, como ocorreu entre 1995e 1997. Naquele período de três anos, por exemplo, quemprecisasse viajar para o exterior era obrigado a mostrar apassagem para receber um limite máximo de US$ 4 mil."A grande questão no momento é que o presidente Chávez está enfrentando um sério problema de governabilidade", disse esserepresentante de um dos países do grupo de Amigos para Venezuela.Indagado com quais dos representantes o grupo de Amigos iria conversar, já que a oposição se encontra totalmente dividida, afonte foi clara: "Por isso, talvez seja necessário recompor amesa negociadora (aquela que vem sendo conduzida pelo secretário geral da OEA, César Gaviria). A oposição precisa ser melhor representada e as conversações nessa mesa precisam ser mais transparentes."Essa proposta de mudança da mesa negociadora será discutida na primeira reunião dos Amigos para Venezuela na sexta-feira emWashington? "Desde o início dissemos que não pretendemos patrocinar uma solução. Queremos, sim, um compromisso sólido de ambas as partes para encontra uma saída para a crise", disse a fonte. De acordo com ele, não houve até agora elementos claros para desbloquear o impasse entre o governo venezuelano e a oposição. "Por isso, queremos (o grupo de Amigos) criar um clima que favoreça um avanço nas negociações e isso produza uma solução que, de fato, seja executada", explicou.Existe algum risco dessa proposta ser interpretada como ingerência em questões internas da Venezuela? "Temos de termuito, mas muito cuidado com as propostas para que não sejaminterpretadas dessa forma, tanto pelo governo como pelaoposição", explicou o interlocutor, até porque o presidenteChávez continua reagindo inconformado contra a impossibilidadede ampliar o grupo de países Amigos para Venezuela.Nesta quarta-feira à noite, em rede de rádio televisão, o presidente venezuelano disse que só aceitará a ajuda de um grupo coerente e equilibrado sem o papel de mediador, já que na Venezuela "não existem duas forças que se enfrentam com a mesma legitimidade".Chávez alertou aos ministros de Relações Exteriores dos países do grupo Amigos para Venezuela, os quais vão se reunir na sexta-feira em Washington, que a "soberania venezuelana não pode ser discutida em mesa alguma de negociações". "Nosso temor é que, em função da radicalização de um ou do outro lado, uma fagulha provoque o início de um confrontoviolento no país. Não adianta apenas uma das partes, caso contrário não haverá solução pacífica e democrática para os graves problemas sociais econômicos e políticos do país",afirmou. Para essa fonte, os dois lados (oposição e governo) têm de sentir vencedores.

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