Oliver Weiken/Efe
Oliver Weiken/Efe

Tensão aumenta com ataque de foguete a Jerusalém

Pela 1ª vez cidade foi atingida por artilharia aérea lançada de Gaza; jornais locais relatam ataque com dois foguetes

BBC Brasil, BBC

16 de novembro de 2012 | 15h48

JERUSALÉM - Militantes do Hamas lançaram nesta sexta-feira, 16, um foguete contra Jerusalém. Esta foi a primeira vez que a cidade foi alvo de artilharia aérea vinda de Gaza. A rádio das Forças Armadas de Israel confirmou que um míssil caiu em uma área ao norte da cidade - e que não houve relatos de mortos ou feridos.

O ataque foi confirmado pela porta-voz das Forças de Defesa do país, Avital Leibovich, em sua conta no Twitter. Segundo testemunhas, pela primeira vez os alarmes instalados há quatro anos soaram em Jerusalém.

Já o jornal israelense The Jerusalem Post e a rede de TV americana CNN informaram que outro foguete foi lançado de Gaza e caiu no sul de Jerusalém, em Gush Etzion. Segundo a correspondente da BBC em Israel Katya Adler, "bunkers estão sendo abertos para a população em Tel-Aviv e em Jerusalém".

Em sua conta do Twitter, Adler acrescentou que "há uma chance cada vez maior de um ataque terrestre em Gaza por parte de Israel".

Abbas

De Ramallah, na Cisjordânia, o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, fez um pronunciamento na TV no qual disse que a atual violência na região não "deterá os esforços palestinos para ganhar um assento de observador na Assembleia-Geral da ONU no final deste mês".

Abbas também pediu aos palestinos que se unam diante da "agressão" cometida por Israel. "Nós precisamos de máximo esforço para atingir a unidade nacional e reconciliação". Já o ministro das Relações Exteriores de Israel, Avigdor Lieberman, afirmou que o país "não estará satisfeito com um cessar-fogo que será quebrado em uma semana ou duas".

Reservistas

Segundo o jornal israelense Haaretz, o ministro de Defesa de Israel, Ehud Barak, teria aprovado a ampliação da convocação para mais de 30 mil reservistas. Na manhã desta sexta-feira, o gabinete do general das Forças de Defesa de Israel anunciou a chamada pública de 16 mil reservistas.

Mais cedo, um míssil atingiu a cidade de Tel-Aviv, principal centro urbano de Israel. O ataque ocorre em meio à escalada da violência entre Israel e a Faixa de Gaza, após a morte do comandante militar do Hamas, Ahmed Jabari, na última quarta-feira, 14.

Nesta sexta-feira, o presidente do Egito, Mohamed Morsi, anunciou o apoio à Gaza pelo que chamou de "agressão ruidosa". Pelo menos 20 palestinos e três israelenses foram mortos desde a retomada do conflito na última quarta-feira. Militantes do Hamas e civis, incluindo cinco crianças, estão entre os mortos do lado palestino, disseram autoridades da região autônoma nesta sexta-feira.

Antes da escalada do conflito, Israel promoveu repetidos ataques aéreos em Gaza, enquanto militantes palestinos lançaram mais de 200 foguetes desde a fronteira. Os foguetes podem atingir alvos até 75 km de distância.

Foi a primeira vez que Tel-Aviv foi atacada desde a Guerra do Golfo, em 1991.

Poder de fogo

Analistas dizem que é a primeira vez que os militantes de Gaza empregaram mísseis de alto poder de fogo. Um porta-voz do Exército de Israel disse que 550 mísseis foram lançados contra o país desde a última quarta-feira, 14. Desse total, 184 teriam sido interceptados pelo sistema de escudo antimísseis de Israel, o Iron Dome.

O funcionário de alto escalão acrescentou que Israel revidou e atacou mais de 600 alvos em Gaza. Mais de 130 locais da região foram atacados na madrugada desta sexta-feira. O ato, segundo o governo israelense, foi uma tentativa de eliminar propulsores de foguetes do Hamas.

Apoio egípcio

Líderes ocidentais pediram a ambos os lados que interrompam a escalada de violência. A Grã-Bretanha e a Alemanha culparam o Hamas pela retomada do conflito.

O presidente do Egito, Mohamed Morsi, no entanto, enviou o seu primeiro-ministro, Hisham Kandil, à zona de conflito, para uma visita de três horas.

O objetivo alegado era "prestar solidariedade ao povo palestino". "O Egito não deixará Gaza à revelia, o que está acontecendo (na região) é uma agressão ruidosa contra a humanidade", disse Morsi assim que Kandil retornou do território.

Os laços entre o Hamas e o Egito aumentaram desde a eleição de Morsi, no início deste ano. O Hamas foi formado por uma dissidência da Irmandade Muçulmana, à qual Morsi pertence.

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