Tensão cerca julgamento de acusados de matar líder pró-apartheid

Partido do supremacista branco diz que não procura obter revanche por morte de Terre'blache

Reuters

06 de abril de 2010 | 10h25

VENTERSDORP - Os ânimos se exaltam fora de um tribunal sul-africano antes da chegada dos trabalhadores negros acusados de matar o líder supremacista branco Eugene Terreblache.

 

A polícia colocou um alambrado para separar os cerca de 200 partidários do Movimento de Resistência Africâner (AWB) de Terreblache de um grupo de trabalhadores negros em frente ao tribunal de Ventersdorp, a 100 km a oeste de Johanesburgo.

 

Os partidários do AWB cantavam o hino nacional da África do Sul durante a época do apartheid, provocando o outro grupo que respondia com o hino 'Nkosi Sikelel' iAfrica' (Deus abençoe a África), introduzido depois das primeiras eleições multiraciais do país em 1994.

 

Os líderes sul-africanos, incluíndo o presidente Jacob Zuma, têm pedido calma desde a morte de Terreblache. Os policiais reagiram rápido quando uma mulher branca atirou uma garrafa de água, disse um repórter da Reuters que estava no local.

 

A chamada "Nação Arco-íris", com uma reputação de crimes e violência, estará sob o foco internacional em pouco mais de dois meses, quando receberá a o Mundial de futebol.

 

A polícia crê que Terreblache, que era a favor da preservação da minoria branca na década de 1990, foi morto por conta de uma disputa salarial.

 

Ainda que os analistas não prevejam maiores repercussões políticas, o assainato expôs a divisão racial que ainda persiste depois de 16 anos do fim do regime de apartheid.

 

O AWB prometeu não buscar revanche pela morte de seu líder, que tinha 69 e ocupava um lugar cada vez mais marginal na política local e possuía um exíguo grupo de seguidores entre a população branca, que representa cerca de 10% dos 48 milhões de habitantes da África do Sul.

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