Tensão cresce após morte de líder radical sul-africano

Brancos e negros compareceram hoje em frente a um protegido tribunal no qual um jovem e outro trabalhador de uma fazenda se apresentaram diante de um juiz. A dupla confessou, segundo autoridades, o assassinato de Eugene Terreblanche, um líder radical branco.

AE-AP, Agência Estado

06 de abril de 2010 | 14h23

O mais velho dos dois suspeitos deixou a corte horas depois, em um veículo da polícia. Nesse momento, os brancos já tinham ido embora e centenas de negros gritaram em apoio ao suspeito. "Nós estamos comemorando a morte do homem que abusou tanto de nós", afirmou uma mulher do grupo.

Terreblanche era um líder radical, condenado por agredir tão violentamente um homem negro que ele ficou com problemas mentais. O assassinato dele trouxe temores de novas tensões raciais no país, menos de dez semanas antes de a África do Sul sediar a Copa do Mundo.

Um dos suspeitos pelo crime tem 15 anos e o outro, 28. Autoridades disseram que Terreblanche, de 69 anos, foi morto a pauladas no sábado passado, quando estava na cama. A mãe do garoto de 15 anos disse que o fazendeiro foi morto pois não pagava os funcionários desde dezembro. A polícia não divulgou o nome dos suspeitos.

O promotor George Baloyi disse que os suspeitos foram formalmente acusados de homicídio hoje e também por invasão de domicílio com a intenção de praticar roubo, tentativa de roubo com agravantes, além de injúria, uma acusação que no país geralmente se refere a algum insulto racial.

O advogado do garoto, Zola Majavu, afirmou que seu cliente temia pela segurança de sua família. Uma nova audiência no caso foi marcada para 14 de abril. Terreblanche liderava o Movimento de Resistência Africânder (AWB), de extrema-direita. O grupo ficou famoso nos anos 1980 e 90, quando usava um emblema parecido com a suástica.

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