Tensão e confronto aumento na Venezuela

A intensificação das tensões na Venezuela nos últimos dias fez recrudescer a polarização no país e o risco de confronto e de violência são cada vez maiores, informou à Agência Estado o embaixador do Brasil em Caracas, Ruy Nogueira. Falando por telefone da capital venezuelana, o diplomata disse que, até sexta-feira da semana passada, a greve começava a dar muitos sinais de esgotamento, perdendo sensivelmente a força dos primeiros dias de paralisação. Mas, na sexta-feira, soldados da Guarda Nacional entraram nas instalações industriais da Panamco, a maior engarrafadora de bebidas do país e que engarrafa a Coca-Cola, e na Polar, também a maior cervejaria venezuelana, onde confiscaram mercadorias sob a alegação de que estavam sendo estocadas para agravar o desabastecimento causado pela greve geral iniciada no dia 2 de dezembro."Revoltadas, centenas de milhares de pessoas saíram às ruasde Caracas sábado à noite portando velas e pedindo a renúncia deChávez", contou o embaixador. Manifestação igual a essa não eravista desde o final de dezembro, quando o clima das festas d efim de ano haviam esfriado os ânimos dos grevistas. "O comércioem Altamira já havia começado a abrir as suas portas. Mas, a exemplo do que ocorreu na primeira semana da greve, aintervenção da Guarda Nacional incitou parte da população avoltar às ruas neste final de semana, em protesto contra ogoverno", comentou o diplomata. O embaixador acredita que osgrupos de oposição ao governo venezuelano voltaram a semobilizar e iniciaram uma série de ações."A atitude arrogante e autoritária do general Luis Felipe Acosta Carlés, aliado próximo do presidente Chávez, na fábrica de cerveja da Polar, desalojando violentamente os gerentes queestavam no local, e a comemoração com um arroto com se fosse um g rito de guerra revoltaram a população como um todo", disseuma fonte que pediu sigilo sobre sua identidade. Pior, acrescentou essa fonte, no dia seguinte, o general Acosta Carlés com uma garrafa de Coca-Cola na mão, dançou com seu filho na frente das câmaras de TV e ainda ofereceu a bebida aosjornalistas, em mais uma atitude de deboche". De acordo comessa fonte, a impressão que dá é que o governo e a oposiçãoparecem estar jogando "truco", cada vez as duas partes estãoapostando muito mais.Chavistas e anti-chavistas, por exemplo, se enfrentaram compaus, pedras, garrafas de vidro e fogos artificiais nos Vallesdel Tuy, no Estado de Miranda, onde os grupos de oposição quequerem derrubar Chávez haviam organizado uma marcha. Também no domingo de manhã, simpatizantes do Movimento ao Socialismo (MAS) também se confrontaram com simpatizantes de Chávez na Praça Bolívar, onde pretendiam fazer uma oferenda floral na estátua de Simón bolívar. Hoje pela manhã, várias bomba s de gás lacrimogêneo foram lançadas contra o comando geral da Guarda nacional em Caracas. Além disso, um artefato explosivo espalhou centenas de panfletos contra os efetivos dessa corporação militar por causa dos ataques contra manifestantes.PetróleoO presidente da Petróleos de Venezuela (PDVSA), Alí Rodríguez, informou que o país começa a retomar a produção de petróleo. De acordo com ele, a PDVSA, que até meados de dezembro vinha extraindo 150 mil barris por dia, já está produzindo 2 milhões de barris. "O presidente Chávez informou domingo, durante o programa Aló Presidente, que oito dos 12 navios petroleiros da companhia já estão operando", contou o embaixador brasileiro, Ruy Nogueira. Com isso, explicou o embaixador, dos 250 mil barris de combustíveis necessários para abastecer o país todo dia, pelo menos 100 mil barris já estão sendo produzidos.MicrosoftA Microsoft Corp está temporariamente fechando seus dois escritórios na Venezuela porque a companhia "não pode garantir a segurança de seus empregados", disse um porta-voz da empresa à Dow Jones. "É uma medida temporária... nós não estamos deixando o país e reabriremos quando a situação voltar ao normal", disse o porta-voz. A Microsoft vai manter as operações de suporte técnico e de serviços aos clientes, que são realizadas principalmente à domicílio e não exigem a presença de funcionários em seus escritórios, disse o porta-voz. Ele acrescentou que a Microsoft não tem uma posição política na Venezuela e que não está participando do locaute geral contra o presidente Hugo Chávez. A suspensão da atividade vai afetar atividades comerciais como geração de demanda, marketing e vendas, disse o porta-voz. Os escritórios da Microsoft em Caracas e Maracaibo têm cerca de 85 funcionários.

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