Kayhan Ozer/Presidential Press Service/ AP
Kayhan Ozer/Presidential Press Service/ AP

Tensão entre Alemanha e Turquia aumenta após novas declarações de Erdogan

Chanceler alemão afirma que presidente turco 'foi longe demais' ao falar novamente que Berlim adota práticas nazistas

O Estado de S. Paulo

19 de março de 2017 | 20h48

ISTAMBUL - A tensão entre Turquia e Alemanha aumentou neste domingo, 19, e o ministro alemão das Relações Exteriores, Sigmar Gabriel, disse ao seu colega turco, Mevlut Cavusoglu, que o presidente Recep Tayyip Erdogan foi longe demais ao acusar Angela Merkel de realizar “práticas nazistas”. “Somos tolerantes, mas não somos idiotas”, disse Gabriel durante uma entrevista ao jornal alemão Passauer Neue Presse, que será publicada na segunda-feira 20.

O presidente turco voltou a acusar a Alemanha, e pessoalmente Merkel, durante um comício em Istambul. “Quando se diz nazista eles ficam nervosos. Começam a se defender imediatamente. Sobretudo Merkel. Você também atua como os nazistas. Agora, a Alemanha não deixa nossos ministros e nossos deputados falarem, mas permitem a fala do PKK e da Feto”, acusou Erdogan, em referência ao Partido de Trabalhadores do Curdistão (PKK) e ao movimento do clérigo opositor Fethullah Gulen, que é acusado por Ancara de ter instigado o fracassado golpe de Estado de julho na Turquia. 

No sábado 18, a revista alemã Der Spiegel publicou uma entrevista com o chefe da agência de inteligência alemã BND, na qual ele afirma que Ancara não conseguiu convencê-lo de que Gulen era responsável pela tentativa de golpe. O porta-voz do presidente turco afirmou que os comentários de Kahl eram a prova de que a Alemanha estava apoiando a rede de Gulen. 

Alemanha e Turquia estão em uma disputa cada vez mais profunda, depois que Berlim proibiu alguns ministros turcos de falarem em comícios para turcos expatriados antes do referendo de 16 de abril, citando preocupações de segurança pública. 

Erdogan disse mais uma vez neste domingo que Ancara havia enviado a Berlim vários pedidos pela extradição de supostos membros do PKK e de outros grupos esquerdistas armados, quase sempre negada pelo Judiciário da Alemanha. 

O presidente turco comparou a recusa das extradições ao caso do jornalista alemão, de origem turca, Deniz Yücel, detido na Turquia há um mês sob acusações de propaganda terrorista. “Querem que soltemos um agente do terrorismo detido no consulado. O que vamos dizer? Nós também temos um Judiciário”, disse o presidente turco. / AFP, EFE e REUTERS 

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