Tensão entre Coréias cresce com tiros na fronteira

A tensão provocada pela ameaça da Coréia do Norte testar sua primeira bomba atômica cresceu neste sábado por dois motivos: tiros disparados na fronteira entre o lado Norte e a Coréia do Sul, e com o alerta do Japão de que pedirá duras sanções se o lado Norte realizar o teste nuclear. Com um possível teste esperado para este domingo, o Conselho de Segurança da ONU divulgou um comunicado na sexta-feira exortando o país a abandonar suas ambições nucleares e alertando para as conseqüências se o regime comunista não atender ao pedido. No sábado, os vizinhos da Coréia do Norte aplaudiram o comunicado da ONU. Diversas nações afirmaram que um teste colocará em risco a segurança regional e possivelmente desencadeará uma corrida armamentista. Mas uma incursão de tropas da Coréia do Norte no início deste sábado no lado sul da ´terra de ninguém´ que separa a Coréia do Norte da do Sul aumentou a tensão. Soldados da Coréia do Sul dispararam 40 tiros de alertas contra cinco soldados comunistas que cruzaram a linha central da zona desmilitarizada que separa os países. Não ficou claro se o avanço da Coréia do Norte foi uma tentativa de provocação ou se os soldados planejavam apenas pescar num rio próximo, disse um representante da Coréia do Sul que pediu o anonimato. Ninguém foi ferido e os norte-coreanos recuaram. Estes atritos fronteiriços são relativamente raros. A incursão deste sábado foi apenas a segunda neste ano. A Coréia do Norte algumas vezes provocou atritos na fronteira para acirrar a tensão em momentos sensíveis de impasse internacional.Comunidade internacionalEnquanto isto, os poderes mundiais aceleraram os esforços diplomáticos para evitar o teste nuclear. O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, deve visitar Pequim neste domingo para discutir com o presidente chinês Hu Jintao e posteriormente seguir para Seul para conversar com o presidente sul-coreano Roh Moo-hyun na segunda-feira. No sábado, o enviado para questões nucleares da Coréia do Sul anunciou que visitaria Pequim na segunda-feira para dois dias de conversações com as autoridades chinesas sobre a ameaça de teste nuclear. Em comunicado divulgado em Tóquio, o Ministério das Relações Exteriores disse que está preparado para defender medidas punitivas nas Nações Unidas se a Coréia do Norte seguir adiante com o teste. "Se a Coréia do Norte realizar um teste com armas nucleares apesar das preocupações manifestadas pela sociedade internacional, o Conselho de Segurança deve adotar uma resolução determinando severas medidas punitivas", disse a nota.O Japão planeja aumentar as sanções econômicas contra a Coréia do Norte, apertar as restrições comerciais e congelar contas bancárias ligadas à Coréia do Norte se o teste nuclear for realizado, afirmou o jornal japonês Nihon Keizai.Este texto foi alterado às 16h38 para acréscimo de informações.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.