Tensão entre cristãos e muçulmanos prossegue no Egito

Entrou no terceiro dia o conflito entre muçulmanos e cristãos coptas na cidade egípcia de Alexandria. A polícia deu tiros para o alto e lançou bombas de gás lacrimogêneo para conter a violência na segunda maior cidade do país. Neste domingo, um muçulmano morreu em decorrência de ferimentos ocorridos na véspera, enquanto dezenas de pessoas foram feridas ou detidas. Policiais contiveram cristãos coptas que estavam dentro de um cordão de isolamento em volta da Igreja dos Santos, no centro de Alexandria, depois que a multidão começou a jogar pedras e garrafas. Houve registro de populares que lançaram coquetéis molotov a partir de sacadas de edifícios próximos. Policiais foram vistos espancando um garoto de cerca de 12 anos, que estava junto à multidão de cristãos coptas, a maioria deles jovens entre 12 e 25 anos. Algum tempo depois, uma multidão de muçulmanos também iniciou uma manifestação, encurralando a polícia entre os dois grupos. O conflito na cidade começou na sexta-feira, com uma série de ataques em três igrejas cristãs, que deixaram mais de 16 feridos. Apesar de ter sido Sexta-feira Santa para cristãos da maior parte do mundo, os coptas e outras igrejas ortodoxas do Oriente celebram a Páscoa somente no próximo fim de semana. Os cristãos coptas representam 10% da população de 73 milhões de habitantes do Egito, e geralmente convivem pacificamente com a maioria muçulmana. Eventualmente, no entanto, conflitos de natureza religiosa explodem entre os dois grupos. No mais recente, muçulmanos atacaram igrejas em protesto contra a distribuição de um DVD que, segundo eles, era ofensivo ao Islã. Os ataques deixaram quatro mortos. A minoria cristã, por sua vez, reclama constantemente de sofrer discriminação, particularmente no serviço público, onde as posições mais altas são ocupadas invariavelmente por muçulmanos.

Agencia Estado,

16 Abril 2006 | 17h19

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