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Tensão entre Irã e Arábia Saudita faz disparar preço do petróleo após ataques de drones

Na abertura do mercado desta segunda-feira, a cotação do barril disparou quase 20% em Londres, a maior alta em uma sessão desde a Guerra do Golfo em 1991

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de setembro de 2019 | 07h39
Atualizado 16 de setembro de 2019 | 08h10

LONDRES - O preço do petróleo disparou nesta segunda-feira, 16, em Londres após os ataques com drones no fim semana contra infraestruturas petroleiras na Arábia Saudita, ações que os sauditas e o governo dos Estados Unidos atribuem ao Irã e que provocaram a redução à metade da produção do produto. Na abertura do mercado, a cotação do barril disparou quase 20% na capital britânica, a maior alta em uma sessão desde a Guerra do Golfo, em 1991. Segundo o BR Político, cenário pode ter consequências para o Brasil.

Por volta das 6h30 (horário de Brasília), o barril de Brent do Mar do Norte, referência na Europa, para entrega em novembro registrava alta de 9,52% na comparação com sexta-feira, a US$ 65,97 no Intercontinental Exchange (ICE) de Londres. Ao mesmo tempo, o barril de "light sweet crude" (WTI) para o contrato de outubro subia 8,71%, a US$ 59,63, no New York Mercantile Exchange (Nymex). 

No domingo, os preços do petróleo subiram 18% nos mercados globais após a onda de ataques. Os iranianos negam serem os responsáveis pelas ações. O atentado, feito com 10 drones e cuja autoria foi assumida pelos rebeldes houthis do Iêmen, patrocinados pela teocracia iraniana, ameaçam aumentar a tensão no Oriente Médio.

O ataque de sábado à fábrica de Abqaiq, na Arábia Saudita, e ao seu campo de petróleo de Khurais levou à interrupção da produção de cerca de 5,7 milhões de barris diários de petróleo, equivalente a quase 6% do suprimento diário do mundo. O campo responde por 50% da produção saudita, que por sua vez é responsável por 10% da produção mundial de petróleo. O mundo consome quase 100 milhões de barris por dia.

“Uma interrupção no fornecimento nessa escala é um evento extraordinário. Nenhuma interrupção desse tipo ocorreu em décadas”, disse Pavel Molchanov, analista de petróleo da Raymond James, ao jornal Washington Post. “A boa notícia é que há petróleo mais do que suficiente em estoque para evitar a escassez de combustível. Não haverá filas nos postos de gasolina como na década de 1970.”

Com os gigantes do petróleo Venezuela e Irã na maior parte ausentes dos mercados mundiais por causa de sanções americanas, uma interrupção prolongada do fornecimento saudita pode forçar economias industriais como os EUA a explorar reservas de emergência. Existe 1,5 bilhão de barris disponíveis em reservas.

Atualmente, a Reserva Estratégica de Petróleo dos EUA possui 645 milhões de barris, o equivalente a cerca de um mês do consumo de petróleo dos EUA. Em uma mensagem postada em sua conta no Twitter, Donald Trump autorizou a liberação de barris da Reserva Estratégica de Petróleo em uma quantidade a ser determinada.

Ainda não está claro como o rei Salman e seu filho, o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, responderão ao ataque. Trump declarou apoio para “garantir a segurança da Arábia Saudita”.

David e Golias

Os ataques ao estilo de David e Golias usando drones baratos adicionaram um novo tipo de volatilidade ao Oriente Médio, afirmam analistas. “Tais ataques não apenas danificam a infraestrutura econômica vital, mas aumentam os custos de segurança e espalham o medo, a um custo notavelmente menor”, disse à Associated Press Wim Zwijnenburg, pesquisador sênior de drones da PAX, uma organização de paz holandesa.

“Os drones usados no ataque de sábado podem custar US$ 15 mil ou menos, e os houthis têm dezenas deles.” O pesquisador disse que os drones deram aos houthis uma vantagem porque são baratos, difíceis de detectar e abater e capazes de causar danos desproporcionais aos seus custos. Embora as capacidades exatas dos houthis não sejam conhecidas, elas se desenvolveram claramente ao longo do tempo.

A aliança dos houthis com o Irã também levanta a possibilidade de que seu sucesso possa ser compartilhado com outros grupos militantes alinhados ao Irã em outras partes da região. “Essas são lições que podem ser compartilhadas com outros grupos xiitas no Iraque, na Síria e no Líbano”, disse. / AFP, AP e NYT

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