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Tensão faz líder egípcio cancelar visita ao Brasil

Onda de distúrbios no mundo islâmico foi motivo da decisão de Morsi, 1° presidente da era pós-Mubarak

Roberto Simon, O Estado de S. Paulo,

19 de setembro de 2012 | 20h44

O primeiro presidente eleito do Egito, Mohamed Morsi, cancelou a visita que faria ao Brasil a partir do dia 28. Por meio de sua embaixada em Brasília, o governo do Cairo alegou que "questões internas" teriam levado ao "adiamento" da viagem - a primeira de um chefe de Estado egípcio ao Brasil. O motivo é a onda de distúrbios que há uma semana incendeia o mundo islâmico.

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Segundo o roteiro original, antes de Brasília e São Paulo, o líder da Irmandade Muçulmana seria recebido pelo presidente Barack Obama na Casa Branca, em sua primeira visita oficial a Washington, e iria depois a Nova York. De lá, seguiria para o Brasil e, por fim, participaria no Peru da cúpula América do Sul-Países Árabes (Aspa), fórum idealizado pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva.

Morsi deve apenas ir brevemente aos EUA para a abertura da Assembleia-Geral da ONU, que começa na terça-feira, segundo informações extraoficiais. Não está claro se o encontro com Obama na capital americana será mantido.

O governo brasileiro espera que a visita ao País seja realizada ainda este semestre, mas o Egito evita, por enquanto, falar sobre novas datas. O Itamaraty pretende remediar a situação com um encontro entre Morsi e a presidente Dilma Rousseff à margem da reunião da ONU.

A escolha do Brasil como um dos primeiros destinos internacionais de Morsi foi festejada em Brasília. À exceção de dois países do mundo islâmico - Arábia Saudita e Irã -, o presidente egípcio só visitou a China em seus três meses no poder. O governo Dilma gostou especialmente do fato de Brasília ter entrado ao lado de Washington no roteiro de Morsi. A presença em Lima do presidente do Egito ainda prestigiaria uma cúpula criada pelo Brasil, há sete anos.

Recentemente, três deputados da Irmandade Muçulmana estiveram em Brasília para discutir cooperação econômica e social. Aos olhos do governo brasileiro, o Egito, país mais populoso do mundo árabe, estaria tentando "diversificar parcerias" e reduzir sua forte dependência dos EUA. 

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