Tensão, medo e ódio em Kandahar

Os cerca de 200 fuzileiros navais norte-americanos que chegaram, nesta quinta-feira, ao Aeroporto de Kandahar, realizaram a operação de maneira sigilosa, já que as novas autoridades da antiga cidade do sul do Afeganistão não queriam publicidade sobre a contribuição norte-americana, já que não subestimam a tensão e o volume de armas que circulam pela região uma semana após a queda do Taleban.O comandante Gul Agha, novo governador de Kandahar, que reocupou o palácio do qual foi expulso pelo Taleban, em 1994, garante que tudo está sob controle.No entanto, na calada da noite, três homens das forças especiais norte-americanas apareceram inesperadamente nos arredores dos muros da cidade, atualmente destruídos, a cerca de 200 metros do local onde os homens de Gul Agha levantaram um posto de controle.Os três norte-americanos patrulham, e os guerrilheiros pedem aos jornalistas que não saiam. "São bandidos", afirmam. Mas não se sabe ao certo se eles falam sobre os norte-americanos.Até o início da manhã desta sexta-feira era ouvido o rumor distante de helicópteros e tanques armados que levam os fuzileiros navais ao aeroporto, cenário das mais sangrentas batalhas ocorridas em Kandahar e que ainda não foram completamente relatadas.Apenas alguns cadáveres, das centenas existentes, segundo afirma-se, dos legionários árabes da Al-Qaeda, que defendiam seu quartel-general, foram recuperados.A área está cheia de minas terrestres, mas os norte-americanos devem prepará-la para que seus aviões possam utilizar a pista. Segundo eles, ela será usada para fins logísticos e humanitários.Gul Agha está insatisfeito. Ele quis expulsar todos os jornalistas, para que estes não registrassem o quanto sua vitória dependeu de Washington.Além disso, a estabilidade é precária. Picapes circulam carregadas de homens de turbante e portando fuzis kalashnikov, aparentemente dois "utensílios" obrigatórios entre os homens afegãos.Quase todos eles são homens de Naqib Ullah, rival que disputava com Gul o domínio da cidade.A intervenção, na segunda-feira, do primeiro-ministro Hamid Karzai resolveu o conflito, mas não se sabe até quando durará a frágil trégua.Leia o especial

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