Maxar Technologies via AP
Maxar Technologies via AP

EUA consideram iminente uma invasão russa da Ucrânia; ataque pode ocorrer em até dois dias

Satélites registram aumento da presença militar russa na fronteira; segundo a TV americana CNN, Biden e Putin devem conversar por telefone no sábado

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de fevereiro de 2022 | 14h35
Atualizado 11 de fevereiro de 2022 | 20h36

WASHINGTON-   O governo americano afirmou nesta sexta-feira, 11, que a  Rússia pode invadir a Ucrânia nos próximos dias. Segundo o assessor de segurança nacional do presidente Joe Biden, Jake Sullivan, uma invasão pode ocorrer na semana que vem ou até mesmo no fim de semana. Sullivan disse ainda que não há informações se o presidente Vladimir Putin já tomou a decisão, mas a inteligência americana trabalha com um cenário de uma ocupação rápida da capital, Kiev. Os dois conversarão por telefone no sábado, 12, pela manhã

Um ataque russo poderia começar a qualquer dia e provavelmente começaria com um ataque aéreo, enquanto um rápido avanço em Kiev também é possível, disse o conselheiro de segurança nacional da Casa Branca em entrevista coletiva.

A tensão na região aumentou, depois de satélites privados americanos terem detectado um aumento da presença militar russa na fronteira. O governo americano acredita que uma invasão pode ocorrer em breve, talvez antes do fim das Olimpíadas de Inverno de Pequim, que terminam no dia 20. Com isso, mais quatro países seguiram os Estados Unidos e pediram que seus cidadãos deixem a Ucrânia.

Holanda, Japão, Letônia e Noruega pediram que seus cidadãos saíssem de território ucraniano nesta sexta-feira, 11, um dia após autoridades americanas alardearem sobre a possibilidade de uma invasão russa ocorrer em breve. No caso holandês, a missão diplomática deve ser retirada de Kiev e movida para longe da fronteira russa, para Lviv, no Oeste da Ucrânia.

Em entrevista ao canal NBC na quinta-feira, 10, o presidente americano, Joe Biden, afirmou que as coisas podem sair do controle rapidamente na Ucrânia. Biden ainda afirmou que não enviaria tropas ao país para resgatar cidadãos americanos no caso de uma invasão russa.

Autoridades dos EUA acreditam que a crise pode estar chegando a um ponto crítico, com o endurecimento da retórica de Moscou contra os esforços diplomáticos de líderes da União Europeia e da Otan. Ao mesmo tempo em que seis navios de guerra russos chegam ao Mar Negro e mais equipamentos militares russos são enviados a Belarus, o governo russo adicionou pressão diplomática, afirmando que as intervenções dos aliados ocidentais mostraram “desrespeito” às reinvindicações russas. 

Funcionários do governo americano ouvidos em sigilo pela PBS, TV publica do país, revelaram que os EUA acreditam que Putin decidiu invadir a Ucrânia e que já teria comunicado os planos aos oficiais militares russos. A informação vai no mesmo sentido de uma declaração anterior do secretário de Estado americano, Antony Blinken.

"Estamos em uma janela em que uma invasão pode começar a qualquer momento e, para ser claro, isso inclui durante as Olimpíadas", disse Blinken, na quinta-feira. E completou: "Simplificando, continuamos a ver sinais muito preocupantes da escalada russa, incluindo novas forças chegando à fronteira".

Mais tarde, nesta sexta-feira, o chefe da diplomacia americana reiterou ao colega ucraniano, Dmytro Kouleba, o "apoio firme" dos EUA frente "à uma ameaça cada vez mais forte" de invasão russa. O secretário de Estado americano afirmou a Kouleba que a Ucrânia tem o respaldo "duradouro e inquebrável" dos EUA para sua soberania e integridade territorial, segundo indicaram seus gabinetes em um comunicado.

Biden deve realizar um telefonema nesta sexta-feira para discutir a crise com os líderes do Reino Unido, Canadá, França, Alemanha, Polônia e Romênia, bem como os chefes da Otan e da UE. O presidente se encontrou com seus conselheiros de segurança nacional na Casa Branca durante a noite de quinta-feira, 10, de acordo com uma fonte ouvida pela Reuters.

O governo americano enviará 3 mil soldados para a Polônia nos próximos dias para tentar ajudar a tranquilizar os aliados da Otan, disseram quatro autoridades norte-americanas à Reuters nesta sexta-feira, enquanto a Rússia realizava exercícios militares em Belarus e no Mar Negro após o acúmulo de suas forças perto da Ucrânia.

O chefe do Estado-Maior da Rússia, Valeri Gerasimov, e o presidente do Estado-Maior Conjunto dos EUA, general Mark Milley, conversaram por telefone nesta sexta-feira, de acordo com a agência de notícias Interfax, citando um comunicado do Ministério da Defesa russo. Eles discutiram a segurança internacional, acrescentou a agência sem dar mais detalhes.

Moscou nega planejar invadir a Ucrânia, mas diz que pode tomar ações "técnico-militares" não especificadas, a menos que uma série de exigências sejam atendidas, incluindo promessas da Otan de nunca admitir a Ucrânia e retirar forças da Europa Oriental.

A Maxar Technologies, com sede nos EUA, tem acompanhado o acúmulo de forças russas desde o começo da escalada do conflito. A empresa disse que fotos tiradas na quarta e na quinta-feira mostraram grandes avanços na concentração de tropas, veículos e aviões de guerra em vários locais no Oeste da Rússia, em Belarus e na Crimeia.

A Rússia tem rebatido as críticas ocidentais sobre o acúmulo de tropas perto da fronteira com a Ucrânia dizendo que tem o direito de movimentar forças em seu território - e que elas não representam ameaça externa./ REUTERS, AFP, EFE e AP 

 

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