Tensão no Golfo faz Obama tentar contato direto com líder máximo do Irã

O presidente Barack Obama, por meio de um canal secreto de diálogo, advertiu o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, que os EUA não tolerarão o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa grande parte do petróleo comercializado no mercado internacional.

GUSTAVO CHACRA , CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

14 de janeiro de 2012 | 03h05

A informação, publicada na edição do New York Times de ontem, não foi confirmada oficialmente por autoridades em Washington e Teerã. Victoria Nuland, porta-voz do Departamento de Estado, disse, antes da publicação da reportagem, que houve contato direto com os iranianos na questão que envolveu os supostos planos de Teerã para assassinar o embaixador saudita em Washington. Ela não comentou, porém, a questão de Ormuz.

A advertência de Obama demonstra o quanto as ameaças iranianas são consideradas graves por Washington. Assim como o presidente, comandantes militares americanos disseram que o eventual fechamento de Ormuz ultrapassaria os limites do que seria aceitável pelos EUA.

Nas últimas semanas, Teerã tem feito repetidas ameaças de que poderia interromper o tráfego no estreito que separa o Golfo Pérsico do Oceano Índico, caso os EUA e seus aliados europeus sigam com a campanha para um embargo internacional ao petróleo iraniano, além de sanções a companhias que façam negócios com o Banco Central do Irã. O objetivo do Ocidente é frear o programa nuclear do Irã.

Segundo a consultoria de risco político Exclusive Analysis, em relatório enviado ao Estado ontem, "nos próximos meses, espera-se que o Irã continue ameaçando fechar o estreito, provocando alta no preço do petróleo. Essa, porém, é uma carta que o Irã não deve usar a não ser que seja alvo de uma campanha militar liderada pelos EUA e considere que a sobrevivência da república islâmica esteja em risco. O fechamento, neste momento, precipitaria uma ação americana e os iranianos seriam derrotados em semanas".

A Rússia afirmou ontem que não aceitará que outros países lancem operações militares contra Teerã. "O Irã é nosso vizinho e um ataque contra eles é uma ameaça direta à nossa segurança", afirmou Dmitri Rogozin, considerado um dos mais influentes funcionários da chancelaria de Moscou.

Os EUA, com os europeus, tentam atrair mais nações para o embargo ao petróleo iraniano, mas sofreram um revés ontem depois de o premiê do Japão, Yoshihiko Noda, afirmar que as declarações de seu ministro das Finanças apoiando as sanções foram uma "opinião pessoal". Os japoneses são o terceiro maior comprador do petróleo iraniano, depois de Índia e China.

Analistas da área de energia diziam ontem que mesmo a adesão dos indianos e dos japoneses ao embargo não seria suficiente para impedir os iranianos de vender o produto. O petróleo de Teerã encontraria alternativas no mercado negro concedendo descontos de entre 10% e 15%.

O Irã exporta 2,3 milhões de barris por dia. Para contornar uma possível elevação acentuada no preço do produto, os Estados Unidos devem contar com a ajuda da Arábia Saudita e de outras nações árabes para aumentar a produção, suplantando uma redução.

Na quinta-feira, a secretária de Estado Hillary Clinton anunciou sanções a três companhias estrangeiras que fizeram negócios com o regime iraniano. Uma era da China, outra de Cingapura e uma última dos Emirados Árabes Unidos.

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