Tensão racial é latente na zona rural sul-africana

A tensão racial na África do Sul tende a ser diluída nos grandes centros, mas na zona rural ela é latente. A boa notícia é que a Bolsa de Johannesburgo terminou a semana no azul. Os sul-africanos a consideram o melhor termômetro da confiança no país. O fato de os mercados futuros agrícolas não terem se alterado, mesmo após o assassinato de Eugene Terreblanche, foi considerado por analistas como um sinal de que o campo não corre o risco de ebulição.

Cenário: Cristiano Dias, O Estado de S.Paulo

10 de abril de 2010 | 00h00

Mas quem vive no interior do país sabe que a situação pode mudar a qualquer momento. Desde 1994, 3 mil agricultores e seus familiares morreram em mais de 10 mil ataques. Segundo dados oficiais, porém, 90% dos assassinatos foram crimes comuns e apenas 2% tiveram motivação racial.

Além de a memória do apartheid estar bem viva entre as comunidades brancas e negras do país, os fazendeiros bôeres temem ações contra suas famílias e suas propriedades, como as que varreram o vizinho Zimbábue de Robert Mugabe a partir da década de 90. Com o incentivo do governo zimbabuano, milícias invadiram as propriedades de fazendeiros de ascendência britânica e os expulsaram do país com suas famílias.

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