Tensões entre China e Taiwan ressurgem após aproximação

Esperados benefícios econômicos derivados da aproximação com a China demoram a se materializar na ilha

Efe,

18 de julho de 2008 | 04h06

As tensões políticas entre Taipé e Pequim, enterradas pelas bem-sucedidas negociações para estabelecer vôos diretos e intensificar os contatos turísticos e econômicos, começam a ressurgir por diferentes motivos, alguns deles relacionados aos Jogos Olímpicos. O Escritório Presidencial de Taiwan lamentou nesta sexta-feira, 18, a tentativa chinesa de mudar o nome olímpico da ilha, do ambíguo "Zhonghua Taibei" (Taipé chinês) para "Zhongguo Taibei" (China, Taipé), que denotaria uma maior subordinação a Pequim. Taiwan também reagiu a declarações americanas nas quais o país afirmava que "não via necessidade urgente de vender armas à ilha", e pediu a Washington para que não interrompa o fornecimento até que Pequim renuncie ao uso da força. O comandante das forças americanas no Pacífico, Timothy Keating, disse em Washington que não havia "necessidade urgente" de vender armas a Taiwan perante a pequena probabilidade de um conflito com a China. "Taiwan espera que os planos de fornecimento de armas americanas sigam seu curso", disse o porta-voz presidencial, Wang Yu-chi. O governo do presidente Ma Ying-jeou, empenhado em uma aproximação social e econômica com a China, atravessa uma forte crise perante a deterioração da economia de ilha, afetada pela desaceleração mundial. Os esperados benefícios econômicos derivados da aproximação com a China demoram a se materializar, com baixos fluxos de turistas que chegam em números muito inferiores aos 3 mil diários previstos. A oposição pediu a Ma que negocie um pacto de proteção dos investimentos taiuaneses na China, declarou o diretor do departamento internacional do Partido Democrata Progressista (PDP), Lin Cheng-wei. O PDP se opõe frontalmente às medidas liberalizantes do governo a respeito dos investimentos na China, e adverte que podem levar à desindustrialização da ilha e à "total dependência de um inimigo político". Taipé e Pequim acertaram, em 13 de junho, em Pequim, a liberalização dos vôos diretos nos fins de semana e a chegada de turistas chineses à ilha, acordo que foi interpretado como o início de uma aproximação entre as duas partes. A China não renuncia ao uso da força para conseguir a unificação com a ilha. Taiwan e China se separaram em 1949, no final de uma guerra civil na qual o governo nacionalista chinês foi derrotado pelos comunistas e se refugiou na ilha.

Tudo o que sabemos sobre:
ChinaTaiwantensão

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.