Tensões históricas marcam relações entre Rússia e Geórgia

Localizada entre a Ásia e a Europa, a Geórgia é um país marcado pelas rivalidades históricas entre Pérsia, Turquia e Rússia, país ao qual foi anexada no século XIX. Recentemente, tem sido motivo de briga entre o governo de Moscou e de Washington, já que líderes russos afirmam que o novo governo georgiano está se aproximando do ocidente.Em 1917 a Geórgia tornou-se independente do império russo, depois da Revolução Bolchevique, porém foi invadida pelo exército soviético em 1921 e anexada à URSS em 1922.Depois da queda da URSS, em 1991, a Geórgia tornou-se independente e elegeu Zviad Gamsakhurdia, líder nacionalista, como presidente. Entretanto, ele foi deposto por milícias oposicionistas em 1992, que colocaram Eduard Shevardnadze, ministro dos Exteriores russo, como novo presidente do país, que permaneceu onze anos no poder.Em 2003, depois de protestos contra o presidente, a população derrubou o governo de Shevardnadze, que tinha apóio russo. Desde então, o governo da Geórgia reclama que Moscou influencia movimentos separatistas nas regiões de Abkházia e Ossétia do Sul, além de tentar minar o atual governo.Mikhail Saakashvili foi eleito em janeiro de 2004, depois de ter liderado os protestos contra Shevardnadze, e consolidou sua posição de nacional-democrata no parlamento. O episódio dos protestos e saída de Shevardnadze do poder ficou conhecido como "Revolução das Rosas". TropasEm 2005, o governo russo anunciou a retirada das tropas da Geórgia. O acordo foi anunciado pelo então ministro do Exterior russo, Sergei Lavrov, e foi entendido como um passo importante para a Geórgia alcançar a independência política e militar em relação à Rússia. A previsão é de que até 2008 as duas bases que a Rússia mantém no país sejam retiradas.Em janeiro de 2006, explosões no sul da Rússia, perto da fronteira com a Geórgia, danificaram o principal gasoduto existente entre os dois países e cabos de eletricidade, justamente em um período do ano no qual as temperaturas são as mais baixas, chegando até a 20 graus negativos.O governo georgiano acusou a Rússia de ter provocado as explosões, iniciando uma briga diplomática entre os dois países. Do outro lado, o governo de Moscou afirmou que as explosões tinham sido um ato criminoso de insurgentes anti-russos. Porém, o governo de Tbilisi recusou a explicação e cortou, no dia 28 de janeiro, o fornecimento de gás para a embaixada russa no país, alegando que estava sendo vítima de bloqueio de energia e que era mais importante aquecer os cidadãos georgianos do que os russos da embaixada.

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