Tentativa de assassinato de Malala completa 1 ano

Um ano depois do Taleban tentar silenciar a busca de Malala Yousafzai por um sistema educacional mais participativo para as meninas, a jovem é uma das principais candidatas ao Prêmio Nobel da Paz. No entanto, militantes ameaçam matá-la caso ela se atreva a voltar para o Paquistão, sua terra natal. Além disso, a diretora de sua antiga escola alega que, junto com a fama de Malala, tem crescido também o medo em suas salas de aula.

AE, Agência Estado

09 de outubro de 2013 | 12h13

Embora Malala, de 16 anos, permaneça no Reino Unido e seu agressor ainda esteja foragido, a polícia afirma que o caso está encerrado. E muitos paquistaneses se perguntam publicamente se o incidente foi encenado para criar um herói para o Ocidente.

Pouco depois do ataque, estudantes paquistaneses encheram as ruas carregando cartazes com as palavras: "Eu sou Malala". Um ano depois, o refrão popular é: "Por que Malala?"

No Vale Swat, no Paquistão, o cartaz gigante, que identificava a escola de Malala, está perdendo suas cores. A escola não fez planos para reconhecer a data, embora as crianças em outras partes do país tenham se manifestado. Professores e alunos estão com medo. Mesmo um poster gigante de Malala, que uma vez estampava a parede de uma das salas, foi removido.

"Nós tivemos ameaças, existem tantos problemas. É muito mais perigoso para nós depois do disparo contra Malala e de toda a atenção que ela está recebendo", disse a diretora da escola, Selma Naz, que falou rapidamente e em voz baixa. "Os Talebans são muito perigosos. Eles saíram de Swat, mas eles ainda têm uma presença aqui. Estão escondidos, mas estão aqui. Todos nós temos medo em nossos corações." Um comando armado agora guarda a saída da grande porta preta de aço da escola.

Em 9 de outubro de 2012, Malala saiu da escola pela mesma porta, rindo com seus amigos enquanto eles subiram na traseira de uma caminhonete usada para transportar as crianças. O motorista atravessava uma ponte estreita, quando um homem mascarado e armado subitamente parou o veículo em um campo aberto.

Um segundo homem mascarado pulou na traseira da caminhonete com uma pistola. "Quem é Malala?", gritou. Ninguém disse nada, mas as cabeças automaticamente se viraram para Malala. Então ele levantou a arma disparou. Uma das balas atingiu Malala na cabeça, e outras duas estudantes, Shazia Ramazan e Kainat Riaz, também foram atingidas, mas sem ferimentos graves.

Malala foi transferida para um hospital militar próximo a Islamabad, e os médicos realizaram uma cirurgia de emergência. Certo de que a garota não sobreviveria, seu pai, Ziauddin, enviou uma mensagem para seu cunhado para preparar um caixão e um veículo para transportar o corpo de volta a Swat. Mas uma semana depois Malala acordou em um hospital em Birmingham, Inglaterra, onde foi levada para tratamento especial, e gradualmente recuperou a consciência e a voz.

Apesar da indicação de Malala para vários prêmios, a história da garota levantou um sentimento contra o Ocidente no Paquistão, já que muitos moradores locais veem o evento como um pretexto do Ocidente para criticar o país. Em dezembro do último ano, o governo renomeou a escola onde ela estudou para Malala Yousafzai Girls College, mas teve que voltar atrás na decisão após protestos de alunos em outras escolas.

A batalha de Malala pela educação para garotas começou quando estava próxima a completar 11 anos, em uma época que o Taleban andava livremente pelo vale, atirando em escolas, decapitando seguranças e espalhando seus corpos pela cidade. "Foi uma época muito, muito difícil", disse, em entrevista para televisão e jornais. Expulso do vale em uma sangrenta operação militar há cerca de quatro anos, o Taleban está gradualmente retornando ao vale.

Um ano antes de ser baleada, em 2011, Malala ganhou do governo paquistanês o Prêmio Nacional da Paz, e recentemente publicou um livro sobre a tentativa de assassinato.

Ahmed Shah, amiga da família e educadora, diz que o atirador nunca será pego, já que a polícia raramente investiga um crime se o Taleban assumir a autoria. O advogado Aftab Alam explica que o medo da retaliação faz com que ninguém compareça ao tribunal e que a polícia não investigue os casos. "Se nós a encontrarmos, definitivamente nós tentaremos matá-la", disse o porta-voz do Taleban, Shahidullah Shahid, em entrevista à AP. "Nós nos sentiremos orgulhosos de sua morte", completou. Fonte: Associated Press.

Tudo o que sabemos sobre:
PaquistãoMalalaNobel da PazTaleban

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.