Ludovic Marin / AFP
Ludovic Marin / AFP

Tentativa de golpe na Guiné-Bissau pode estar ligada ao tráfico de drogas, diz presidente

Segundo Umaro Sissoco Embalo, presidente do país, o tiroteio próximo a um complexo do governo foi uma tentativa de matar todo o gabinete

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de fevereiro de 2022 | 02h42

BISSAU - O presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embalo, sobreviveu a uma tentativa de golpe nesta terça-feira, 01. Um tiroteio ecoou perto de um complexo do governo onde estava presidindo uma reunião extraordinária de gabinete. Segundo ele, o ataque pode estar ligado ao tráfico de drogas.

Embalo afirmou que muitos membros das forças de segurança foram mortos ao repelir o ataque, sem especificar quantos. Em vídeo postado na página da presidência da Guiné-Bissau no Facebook, ele disse que os agressores tentaram entrar no complexo logo após a reunião do gabinete, mas foram repelidos. 

"Não foi apenas um golpe. Foi uma tentativa de matar o presidente, o primeiro-ministro e todo o gabinete", disse ele. Acrescentou que o ataque "foi bem preparado e organizado, podendo também estar relacionado com pessoas envolvidas no tráfico de droga", sem dar mais detalhes.

A União Africana e o bloco Cédéao (Comunidade Econômica de Estados da África Ocidental) condenaram o que chamaram de "uma tentativa de golpe de estado". Os acontecimentos ocorreram pouco mais de uma semana depois que os militares em Burkina Faso, outro país da região, depuseram o presidente. 

A Guiné-Bissau, atingida pela pobreza, é vista pelas Nações Unidas como um importante ponto de passagem para a cocaína latino-americana com destino à Europa. Autoridades dos Estados Unidos e da Europa suspeitam há muito tempo que alguns militares do país estão envolvidos no tráfico de drogas.

Embalo, que teve forte apoio dos militares durante uma crise política anterior, sugeriu em seu vídeo que o exército não estava envolvido no ataque da última terça-feira. 

Prisões de pessoas envolvidas já começaram, mas o presidente não soube dizer quantas.

Série de golpes 

A instabilidade política tem arruinado a Guiné-Bissau há décadas, com nove golpes anteriores ou tentativas de golpe desde a independência em 1974.

O presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, disse no seu site oficial ter falado com Embalo por telefone e ter "transmitido a sua veemente condenação destes ataques contra a ordem constitucional da Guiné-Bissau".

Antes do vídeo de Embalo, a União Africana havia dito que alguns membros do governo estavam sendo detidos e pediu aos militares que os libertassem, sem dar detalhes.

Durante as horas de confusão, a embaixada portuguesa pediu aos cidadãos na Guiné-Bissau que ficassem em casa, enquanto o secretário-geral da ONU, António Guterres, disse estar "profundamente preocupado" com o que estava acontecendo na capital.

A reunião do gabinete estava sendo realizada justamente para preparar uma próxima cúpula da Cédéao em resposta à tomada militar da semana passada em Burkina Faso, a mais recente de uma onda de golpes na região nos últimos 18 meses.

"Parece cada vez mais difícil argumentar contra a ideia de um ‘contágio do golpe’", disse Eric Humphrey-Smith, analista da consultoria de risco Verisk Maplecroft./Reuters

 

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