Tentativa de invadir museu acaba com 50 presos no Egito

Com protestos tomando conta de todo o país, antiguidades viram alvo de saqueadores

Agência Estado

31 de janeiro de 2011 | 12h20

Zahi Hawass, novo ministro de Antiguidades, no Museu do Cairo com policiais.

 

CAIRO - Soldados prenderam cerca de 50 pessoas que tentavam invadir o Museu Nacional do Egito, em mais uma tentativa de saquear tesouros arqueológicos do país, informaram nesta segunda-feira, 31, militares.

 

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Atiradores de elite estavam posicionados no telhado do prédio e dezenas de tropas patrulhavam o museu, onde há vários itens famosos da antiguidade egípcia. Há o temor de que o caos ocorrido no Cairo nos últimos dias possa ameaçar as riquezas arqueológicas nacionais. Alguns dos protestos mais intensos contra o governo na semana passada ocorreram perto do museu.

 

Seis suspeitos foram detidos quando tentavam entrar no museu pelo telhado, com seus rostos cobertos por uma manta. Um general no museu afirmou que soldados prenderam 35 homens tentando entrar no local no domingo e mais 15 nesta segunda. A fonte pediu anonimato. A ordem é para que as tropas não atirem, mas protejam o prédio e suas obras.

 

A maioria das obras do museu está intacta, mas há alguns sinais de problemas. No segundo andar, uma caixa contendo um adorno de ouro, duas barras pequenas e outros pequenos artefatos estava quebrada. Outra caixa estava quebrada no primeiro andar. Perto dali fica a máscara funerária em ouro do faraó Tutancâmon, que atrai milhões de visitantes todos os anos. Na loja do museu havia vidro quebrado e souvenirs pelo chão.

 

O chefe do setor de antiguidades do Egito, Zahi Hawass, caminhou pelo museu com uma guarda militar. Segundo ele, o local está bastante protegido pelos militares. Hawass foi nomeado ministro das Antiguidades do Estado no novo gabinete do presidente Hosni Mubarak, que é pressionado pelos manifestantes para renunciar.

 

"Se o museu está seguro, o Egito está seguro", disse Hawass. Na sexta-feira, saqueadores invadiram o local, danificando algumas peças antes de serem detidos. Segundo Hawass, as peças danificadas podem ser restauradas.

 

O diretor do museu, Tarek El Awady, disse que os ladrões aparentemente estavam em busca de ouro e não entendiam o valor dos outros artefatos. Há no museu milhares de peças do período dos faraós.

 

Antes da chegada do Exército, na manhã do sábado, jovens fizeram uma corrente humana para evitar a entrada de saqueadores. As informações são da Associated Press.

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