Tentativa de suicídio pode ser causa de explosão em NY

Investigações preliminares sobre a explosão que destruiu um prédio de quatro andares na manhã desta segunda-feira no nordeste de Manhattan, na área conhecida como Upper East Side, apontam para uma trama envolvendo divórcio e uma tentativa de suicídio como causas para o incidente. A forte explosão, cujas chamas puderam ser vistas em quase toda Manhattan, deixou uma montanha de tijolos, vidro quebrado e pedaços de madeira.Segundo os investigadores, o incidente foi provocado por um vazamento de gás que poderia ter sido provocado pelo dono do edifício, um médico que acabara de passar por um difícil divórcio. As autoridades suspeitam que ele pretendia se suicidar. Ao menos 15 pessoas ficaram feridas.Nicholas Bartha, de 66 anos, enviou recentemente um e-mail para sua ex-mulher em que cogitava a hipótese de suicídio, informou um policial próximo às investigações. Segundo The New York Times, trechos do e-mail revelavam um homem infeliz. Bartha estava claramente incomodado com divórcio, cuja divisão de bens aparentemente o obrigaria a vender o prédio, avaliado em US$ 5 milhões."O sistema legal é corrupto. Matou meu irmão e agora eu", diz o e-mail. Em outro trecho, Bartha se dirige diretamente a ex-mulher: "Quando você ler estas linhas, sua vida terá mudado para sempre. Você merece. De caçadora de tesouros, você se transformará em uma caçadora de cinzas e lixo."E as evidências de que a explosão seria uma vingança contra a mulher continuam: "Você sempre quis que eu vendesse o imóvel. Eu sempre disse só o deixaria morto. Você me ridicularizou. Você deveria ter me levado a sério."Entre os feridos estão cinco civis e dez bombeiros. De acordo com o chefe dos bombeiros Nicholas Scoppetta, Bartha foi retirado do meio dos escombros após falar por telefone com as autoridades. Ele e um transeunte tiveram ferimentos graves. As outras vítimas já passam bem.Bartha enfrentava uma disputa judicial de US$ 4 milhões com a ex-mulher, apontam relatórios judiciais. Segundo os advogados da mulher, ela estaria "profundamente triste e aborrecida" com o incidente e não comentaria o caso.Bola de fumaçaUma densa bola de fumaça pôde ser vista sobre o terreno do prédio construído no século 19, a apenas alguns quarteirões do Central Park. Apenas ruínas restaram no local. "Poderia ter sido um desastre muito pior do que foi", disse o bombeiro Scoppetta.Segundo um porta-voz da companhia de energia Con Edison, uma equipe da empresa estava em um prédio ao lado do edifício respondendo uma reclamação de vazamento de gás quando a explosão ocorreu. Yaakov Kermaier, um morador do edifício vizinho, disse que estava na rua quando ouviu o "barulho ensurdecedor. Eu vi o prédio inteiro desabar na minha frente"."Todo mundo começou a correr, ninguém sabia o que viria depois", disse. A babá de seu filho recém-nascido e a criança deixaram o apartamento assustados, mas sem nenhum ferimento.Dois consultórios médicos funcionavam no local. Segundo a polícia, uma enfermeira que abriria um dos consultórios chegou atrasada, escapando da explosão.Aparentemente, Bartha era o único morador do prédio. Thad Milonas, um atendente de uma cafeteria do outro lado da rua, disse que trabalhava normalmente quando sentiu o chão tremer e viu o prédio vindo abaixo. "Em poucos segundos, estava acabado", ele disse. O apresentador de TV Larry King, que estava em um quarto de hotel próximo ao local do incidente, disse na CNN que a explosão soou como uma bomba e "tremeu" como um terremoto."Eu nunca tinha ouvido um som como aquele", disse ele.O prédio, localizado no número 34 da rua 62, está em um dos bairros mais valorizados de Manhattan. Segundo o último censo da cidade, o preço médio dos apartamentos na vizinhança é de um milhão de dólares.

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