Tentativa de unir oposição argentina fracassa

Ex-kirchnerista Massa, que já foi favorito à presidência mas está em queda, mantém candidatura por falta de interesse do conservador Macri em uma aliança

RODRIGO CAVALHEIRO, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

11 de junho de 2015 | 02h03

Após semanas de negociações e de emitir sinais de que abriria mão de sua candidatura em nome de uma união opositora, o ex-kirchnerista Sergio Massa manteve ontem sua postulação à presidência argentina na eleição de outubro. O fracasso da manobra para unificar o antikirchnerismo está ligada à rejeição por parte do prefeito de Buenos Aires, o conservador Mauricio Macri, a uma aliança com um nome que já foi ministro de Cristina Kirchner.

Massa, deputado que foi favorito segundo as pesquisas de intenção de voto até o ano passado, sofreu nos últimos meses deserções de aliados que voltaram, sobretudo, à base governista. Ele teria hoje 13,8% dos votos, segundo o instituto M&F, que desenha seu eleitorado típico como mulheres com baixa ou média instrução, da região metropolitana de Buenos Aires.

"Cometemos erros nos últimos meses por entrar na lama da política", reconheceu Massa em pronunciamento ontem à noite. "Não busco um cargo, mas tenho a convicção de que a Argentina pode ser um país melhor. Vou ser candidato e presidente", afirmou.

Em 9 de agosto, o país tem eleições prévias que servem não somente para confirmar o candidato de cada bloco, mas principalmente determinar sua força para seguir ou não na disputa e negociar alianças.

"A decisão de não desistir é uma estratégia razoável. Fica na corrida e tem capital político para negociar o que conseguir após as prévias de agosto", disse ao Estado Atilio Borón, professor de ciência política na Universidade de Buenos Aires.

Segundo Borón, a razão para a derrocada da campanha de Massa foi ter apostado em um caos econômico no país. "Isso não ocorreu e o fato é que o governo recuperou aprovação. Seus aliados até agora parecem ter o instinto de que o candidato com mais chance agora é o do governo, por isso voltaram ao kirchnerismo", avaliou.

Macri tem crescido nas pesquisas - aparece com 32,2%, segundo a M&F - e firmou-se como o principal opositor ao kirchnerismo. Ele deve polarizar a eleição com o governista Daniel Scioli, governador da Província de Buenos Aires, onde estão 38% dos eleitores do país. O governista, um peronista moderado que desagrada à ala mais dura do kirchnerismo, tem 33,3% das intenções de voto, segundo a mesma pesquisa.

"Tanto Scioli quanto Macri têm rejeição em torno de 40% e teto eleitoral de 60%, o que dá a ambos a possibilidade de vencer a eleição em um segundo turno (que seria disputado em novembro)", afirma Nicolás Solari, analista do Instituto Poliarquía.

A estratégia do prefeito de Buenos Aires, segundo Solari, é manter "pureza" da candidatura que ele classifica como uma terceira via, nem de esquerda, nem de direita - seu marqueteiro é o equatoriano Jaime Durán Barba, ligado a Marina Silva na eleição brasileira no ano passado.

Embora Scioli e Macri tenham índices semelhantes, o favorito segundo a maioria dos institutos é o governista, que comanda a Província em que normalmente a eleição argentina é decida. Além disso, Scioli tem recebido apoios importantes de prefeitos e políticos que se uniram a Massa para derrotar em 2013, em eleições parlamentares, o projeto kirchnerista de mudar a Constituição e garantir a possibilidade de mais uma reeleição à presidente. Ontem, Cristina convocou a 23.ª transmissão em rede nacional no ano - média de uma por semana - para inaugurar um museu sobre a Guerra das Malvinas.

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