AP Photo/Vincent Thian
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'Tentei não pensar em comida, então não tive fome', diz mais jovem dos meninos tailandeses resgatado

Grupo de 12 crianças e seu técnico de futebol falou à imprensa sobre o tempo em que ficaram presos no complexo de Tham Luang Nang Non, no norte do país; garotos se sentiram responsáveis pela morte de mergulhador que trabalhava na operação de resgate

O Estado de S.Paulo

18 Julho 2018 | 10h06

CHIANG RAI - Os 12 meninos e seu treinador de futebol que foram resgatados de uma caverna inundada no norte da Tailândia falaram com a imprensa em uma coletiva nesta quarta-feira, 18. O grupo foi recebido sob aplausos da mídia e de seus colegas. Eles sorriram, acenaram e fizeram o wai, cumprimento tradicional do país. Todos vestiam camisetas iguais com um javali selvagem vermelho, em referência ao nome do seu time de futebol. No local estava afixado um banner com a frase "Trazendo os Javalis Selvagens para casa".

Os garotos fizeram uma breve demonstração de suas habilidades com a bola em um mini campo montado na sala onde falaram com a imprensa. Então, abraçaram seus amigos e se sentaram ao lado dos médicos e outros funcionários do hospital que os atenderam durante o período da internação.

Adul Sam-on, de 14 anos, lembrou o momento em que os dois mergulhadores britânicos encontraram o grupo, em 2 de julho. "Foi mágico", disse. "Eu tive que pensar muito para conseguir responder as perguntas deles", acrescentou, dizendo que o grupo chegou a ouvir barulhos na rocha e vozes antes de ser encontrado.

O treinador do grupo, Ekkapol Chantawong, contou que os 13 se revezaram para cavar as paredes da caverna. Ele recebeu o crédito de alguns dos pais das crianças por conseguir mantê-las vivas por tanto tempo. "Nós não queríamos esperar até que as autoridades nos encontrassem", disse o treinador. Ele contou ainda que quase todos do grupo sabem nadar, mas que alguns não são nadadores muito fortes.

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O grupo havia comido antes de entrar na caverna e não levou alimentos para o interior. Os 13 sobreviveram com a água que pingava das estalactites. "Nós só bebemos água", disse um dos garotos, apelidado de Tee. O menino mais jovem do grupo, Titan, de 11 anos, acrescentou que chegou a ficar sem forças, e que a solução encontrada foi simples. "Tentei não pensar em comida, então não fiquei mais com fome."

A entrevista, no entanto, foi um misto de alegria e tristeza. Os 13 resgatados seguraram uma ilustração a lápis de Samarn Kunan, o mergulhador que morreu durante as operações de resgate, quando colocava tanques de oxigênio em uma das possíveis rotas de saída. "Todo mundo ficou triste", disse o técnico sobre a morte do mergulhador. "Eles (os meninos) sentiram como se fossem a razão pela qual ele tinha que morrer e sua família tinha de sofrer." / REUTERS

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