Teo, o assassino mais procurado do México

Teodoro García Simental é o traficante que está por trás das sangrentas batalhas de gangues em Tijuana

Richard Marosi, Los Angeles Times, Tijuana, México, O Estadao de S.Paulo

20 de dezembro de 2008 | 00h00

Teodoro García Simental é um dos mais conhecidos vilões na guerra das drogas no México. Acusado de deixar um rastro de terror por toda a Baixa Califórnia, ele diz que adora mulheres, cavalos rápidos e dissolver seus inimigos em soda cáustica.Segundo as autoridades mexicanas, seus matadores de aluguel fortemente armados deixam marcas horripilantes em corpos carbonizados e esquartejados. No entanto, os milhares de policiais, soldados, agentes federais e estaduais não conseguem localizá-lo.Cartazes exibindo os mais procurados seqüestradores de Tijuana não trazem a imagem de Teodoro García, embora ele esteja por trás da morte de mais de 400 pessoas desde setembro."Isso significa que ninguém quer ser o responsável por colocar uma foto de Teo em público", disse uma fonte policial americana, que não quis se identificar. "Não há futuro nisso."MISTÉRIOTeo, como é conhecido, aparece com seu rosto redondo usando uma gravata mal colocada na única foto dele publicada até hoje, marcada com o número 27, no site do FBI. A foto não tem seu nome. Ele é listado apenas como uma das dezenas de pessoas procuradas por uso de identidade falsa e ligadas a assassinatos, seqüestros e outros crimes.Muitos membros da polícia mexicana, promotores e cidadãos comuns silenciam quando o nome de Teo é mencionado. Tudo o que se sabe a seu respeito vem de testemunhos secretos de pistoleiros capturados e de mensagens do tráfico deixadas com as vítimas.Teo teria hoje 30 anos - até a data de seu nascimento é desconhecida. Suspeita-se que ele aposte pesado em corridas de cavalos em ranchos isolados na região de Ensenada. Relatos afirmam que ele contrata pessoas por US$ 400 por semana para vigiar as vítimas de seqüestro e misturar os barris de soda cáustica usados para eliminar alguns de seus rivais.SELVAGERIAUm policial mexicano disse que García mata pessoas durante as festas, gargalhando diante de suas reações. "Os criminosos ganham respeito e credibilidade com métodos criativos de assassinato", disse um policial, que não quis ser identificado por razões de segurança. "O seu status baseia-se em sua capacidade de cometer os atos mais sádicos. Queimar corpos, usar ácido, degolar as vítimas. Essa geração está estabelecendo um novo padrão de selvageria." O império criminoso de Teodoro García foi criado na base de seqüestros e extorsões, um modelo para um chefão do crime pós-guerra das drogas que, privado dos lucros do tráfico, recorre a atividades domésticas mais sangrentas.O poder de Teodoro García começou logo depois que o presidente mexicano, Felipe Calderón, lançou sua ofensiva contra o crime organizado, em dezembro de 2006, para destruir os cartéis da droga e seus líderes."A estratégia do governo era diluir os cartéis em peças menores, mais controláveis", disse David Shirk, diretor do Trans-Border Institute, da Universidade de San Diego. Teo, cuja família seria do Estado de Sinaloa, cresceu em Tijuana nos anos 90. Começou a vida na organização dos irmãos Arellano Félix como matador de aluguel, onde ganhou influência, assumindo a posição de segundo no comando e ajudando a transformar o seqüestro em uma indústria milionária.DIVISÃOEste ano, o chefe do cartel, Fernando Sánchez Arellano, sobrinho dos irmãos fundadores, tentou sem sucesso acabar com os seqüestros de médicos, empresários e figuras influentes da política. Ao que parece, ele estava preocupado que a onda de crimes, atribuída a Teo, prejudicasse o tráfico. Em abril, ele rompeu com Teo de maneira espetacular: com um tiroteio entre os dois bandos numa estrada a leste de Tijuana, que deixou 14 mortos. Teo fugiu para Sinaloa, mas retornou para iniciar uma guerra total. Acredita-se que ele tenha se aliado ao cartel de Sinaloa, liderado por Joaquín "El Chapo" Guzman.Desde então, Tijuana vem registrando uma média de cinco assassinados por dia. Na maior parte dos casos, são deixadas mensagens com a marca de Teo. Uma vítima foi encontrada com a face mutilada. Três corpos sem cabeça foram jogados perto de um campo de beisebol. Outros dois estavam pendurados em uma ponte. Alguns foram encharcados de gasolina e queimados.A polícia diz que os pistoleiros de Teo dispararam contra um salão de bilhar, boates, uma loja de motocicletas e peixarias. Depois que Arellano tentou matar um dos principais pistoleiros, o esquadrão de Teo vingou-se, esquartejando cinco companheiros do rival.O governo parece incapaz de conter os homicídios. Policiais que não trabalham para Teo estão morrendo de medo. Comenta-se que o traficante tenha uma lista com o endereço e o telefone de todos. Vários já receberam ameaças de morte.MORTEOs policiais que trabalham em Tijuana cobrem as placas dos carros e patrulham em grupos de dois ou três. Se vêem um Ford F-250 ou um Cadillac Escalade, os preferidos dos traficantes, mudam de rota. "Estamos apavorados", disse um policial. "Policiais dos EUA nunca trabalhariam nessas condições."Teodoro García, que parece mudar constantemente de lugar, ridiculariza a polícia. Um de seus substitutos no comando da gangue, Raydel López Uriarte, apelidado de "Muletas", costuma dar uniformes para o esquadrão com as letras FEM, iniciais em espanhol de Forças Especiais de Muletas. O uniforme estampa um esqueleto e duas muletas em cruz, evocando a morte.Em outubro, depois que um soldado mexicano foi morto num confronto, o general Alfonso Duarte Mugica, do alto comando militar de Tijuana, mencionou o nome de Teo durante uma coletiva de imprensa, sinalizando que o chefão do crime estava na sua mira.Três semanas depois, centenas de soldados e agentes federais vasculharam toda a região que é reduto do traficante. Durante 24 horas, os assassinatos pararam. Mas, em seguida, mais de 40 pessoas foram mortas em apenas três dias. Três eram policiais, que foram decapitados. Os corpos foram arrumados de modo a formar a inscrição "Teo", não deixando dúvidas sobre quem foi responsável pelo crime.

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