Mike Segar/Reuters
Mike Segar/Reuters

Teólogo Tariq Ramadan é denunciado por estupro na França

Denúncia contra um dos estudiosos do Islã mais conhecidos da Europa foi apresentada na sexta

O Estado de S.Paulo

20 Outubro 2017 | 20h06

PARIS - Uma denúncia foi apresentada nesta sexta-feira, 20, na França contra o teólogo suíço especializado em estudos islâmicos Tariq Ramadan, por estupro e agressões sexuais, informaram os advogados de Henda Ayari, ex-salafista que se tornou militante feminista e laica. O teólogo ainda não se pronunciou sobre o assunto. 

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A denúncia foi apresentada ante a justiça de Rouen (na região noroeste), onde Ayari mora, por "fatos criminais de estupro, agressões sexuais, violências voluntárias, assédio, intimidação", segundo o documento consultado pela agência de notícias AFP.

Henda Ayari, de 40 anos, presidente da associação Libertadoras, indicou na sexta-feira na sua página do Facebook que foi "vítima de uma coisa muito grave há anos", mas que não tinha ousado revelar o nome do agressor por "ameaças de sua parte".

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Em seu livro "Escolhi ser livre", publicado em novembro de 2016 pela editora francesa Flammarion, a autora se refere a este homem com o nome de Zoubeyr e narra um encontro em seu quarto do hotel em Paris onde o intelectual muçulmano tinha acabado de dar uma palestra.

"Por pudor, não darei aqui detalhes sobre o que ele me fez. Basta saber que ele se aproveitou amplamente da minha fragilidade", escreveu Henda Ayari, que assegura que quando se "rebelou", e lhe "gritou que parasse", ele a "insultou", a "esbofetou" e "estuprou".

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"Confirmo que o famoso Zoubeyr é Tariq Ramadan", escreveu Henda Ayari no Facebook. Segundo Jonas Haddad, um de seus conselheiros, "Henda Ayari não tinha vontade de falar sobre este assunto por medo".

Ramadan, de 55 anos, é neto do fundador da organização islâmica egípcia Irmandade Muçulmana e é professor de estudos islâmicos contemporâneos na Universidade de Oxford, no Reino Unido.

Popular nos setores muçulmanos, ele é também muito criticado, especialmente nos meios laicos, que o veem como impulsor do islã político. / AFP

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