Kim Kyung-Hoon/Reuters
Kim Kyung-Hoon/Reuters

Tepco não deve comandar desativação de Fukushima, diz comissão

Segundo relatório, responsabilidade pelas obras poderia ser de uma companhia independente

O Estado de S. Paulo,

30 de outubro de 2013 | 14h26

TÓQUIO - A empresa Tokyo Electric Power Co, conhecida como Tepco, deveria ser privada da responsabilidade pela desativação da usina nuclear de Fukushima, segundo proposta feita por uma comissão do partido governista do Japão.

A Tepco tem sido amplamente criticada por repetidas falhas, por mau planejamento e por falta de transparência nas atividades de limpeza do entorno da usina, cenário do pior acidente nuclear do mundo desde o desastre de Chernobyl, em 1986.

Uma força tarefa formada pelo Partido Liberal Democrático (PLD) sugere que a responsabilidade pelas obras deveria ser tirada da empresa elétrica. Isso poderia se dar pela criação de uma unidade separada dentro da Tepco, de uma companhia independente ou de uma nova agência governamental com independência administrativa.

Uma pessoa familiarizada com as deliberações da comissão do PLD disse que a opção favorita é a criação de uma unidade à parte dentro da própria Tepco. As recomendações serão apresentadas na semana que vem ao primeiro-ministro Shinzo Abe.

"Precisamos ter uma pronta conclusão para criar uma organização clara e realista", estabelece a proposta preliminar, examinada pela Reuters. O trabalho de limpeza e desmanche da usina pode levar várias décadas, já que um enorme volume de água contaminada e de combustível nuclear usado precisará ser retirado e armazenado em outro lugar.

Em março de 2011, um terremoto e um tsunami subsequente deixaram a usina de Fukushima sem energia e resfriamento, levando a fusões e explosões em três reatores, o que por sua vez lançou uma enorme nuvem de radiação no mar e no ar, forçando cerca de 150 mil pessoas a deixarem suas casas.

Desde então, a Tepco já teve prejuízos de US$ 27 bilhões na usina ao norte de Tóquio. A empresa enfrenta uma enorme exposição a custos decorrentes do desmanche da usina, da indenização aos desabrigados e da descontaminação de uma área do tamanho de Connecticut.

O relatório do PLD observa que, passados mais de dois anos e meio do desastre, "a recuperação e reconstrução após o desastre nucleares permanecem lentas". A Tepco, que anuncia seus resultados financeiros do primeiro semestre nesta quinta-feira, diz que não vai comentar futuras mudanças na sua estrutura. As ações da empresa caíram 1,3% na quarta-feira, cotadas a 525 ienes. Antes do desastre de 2011, esses papéis eram negociados a 2.150 ienes./ REUTERS

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