Terceiro colocado no 1.º turno declara apoio a Lacalle Pou no Uruguai

Terceiro colocado no 1.º turno declara apoio a Lacalle Pou no Uruguai

Segundo turno da eleição presidencial ocorre dia 30 de novembro entre opositor e candidato da coalizão governista, Vázquez  

O Estado de S. Paulo

27 de outubro de 2014 | 11h07

MONTEVIDÉU - O candidato da coalizão governista Frente Ampla, Tabaré Vázquez, liderou a votação presidencial do Uruguai no domingo e por pouco não garantiu a vitória no primeiro turno. Vázquez disse, à medida que os resultados eram divulgados, que provavelmente enfrentaria uma guerra de nervos contra o jovem candidato de oposição Luis Lacalle Pou, de centro-direita.

A contabilização oficial ocorre lentamente mas, com cerca de 28% dos votos apurados, Vázquez tinha 42% de apoio, contra 34% de Lacalle Pou, do Partido Nacional.


Pedro Bordaberry, do Partido Colorado, cuja expectativa era que recebesse 14% dos votos, rapidamente declarou apoio a Lacalle Pou para o segundo turno em 30 de novembro.

Vázquez, de 74 anos, levou a Frente Ampla ao poder em 2005. Com uma mistura de políticas pró-mercado e medidas de bem-estar social que levaram a uma forte redução das taxas de pobreza, ele angariou um grande apoio, mas foi barrado pela Constituição de tentar a reeleição.

Seu aliado mais próximo, o atual presidente do país, José Mujica, que deixará o poder, deu continuidade ao modelo, que continuam popular entre algumas pessoas, mas desencantou outras.

A escala das reformas sociais promovidas por Mujica, como a legalização do aborto, do casamento gay e da produção e distribuição de maconha desagradou algumas alas da população. "Então agora nós matamos bebês e o Estado vai vender maconha", disse Adriana Herrera, uma pensionista de 68 anos. "Minha frustração não é só com as políticas de doações, mas também com as leis que tem sido aprovadas, que são terríveis para o país."

Lacalle Pou, de 41 anos, emergiu como um candidato forte após uma inesperada vitória nas primárias de seu partido e fez campanha sobre uma plataforma calcada na mudança. Ele disse à Reuters na semana passada que tentaria, em caso de vitória, revogar a produção e venda de maconha sob supervisão do Estado.

Aliança. Bordaberry, do Partido Colorado, foi rápido em declarar apoio a Lacalle Pou no segundo turno, dizendo que ele possuía "os melhores valores" entre os dois concorrentes. "Trabalharei todas as horas dos próximos 34 dias para assegurar que Lacalle Pou vença no segundo turno", disse Bordaberry, filho de um ex-ditador, a seus apoiadores.

Enquanto os mercados financeiros acreditam na robustez das políticas econômicas da Frente Ampla, alguns analistas dizem ser mais provável que Lacalle Pou, caso vença, governe em um ambiente econômico com déficit fiscal acima da meta e uma inflação próxima dos dois dígitos.

Os eleitores também elegeram os parlamentares no domingo. Tanto a Frente Ampla como o Partido Nacional não devem obter maioria no Congresso, colocando um desafio ao próximo presidente, que deve ter mais dificuldades para aprovar leis do que teve Mujica. / REUTERS

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