EFE/EPA/ABEDIN TAHERKENAREH
EFE/EPA/ABEDIN TAHERKENAREH

Terceiro dia de protestos no Irã desafia o regime dos aiatolás

Em vários pontos do país, manifestantes pedem o fim do governo e têm enfrentado repressão policial

Redação, O Estado de S.Paulo

13 de janeiro de 2020 | 12h50

Os protestos no Irã chegaram ao seu terceiro dia consecutivo nesta segunda-feira, 13, após o governo do país ter admitido que foi o responsável pelo “erro humano” que derrubou um Boeing 737 ucraniano com 176 pessoas a bordo. Nas manifestações, que se alastraram por outras cidades ao longo fim de semana, é possível ouvir manifestantes pedindo morte aos mulás e aos aiatolás, enquanto a polícia reage com munição real e bombas de gás. 

Vídeos dos protestos da noite de domingo mostram manifestantes fugindo das bombas de gás e, em um dos casos, uma mulher é filmada com um sangramento na perna. De acordo com os presentes, o ferimento foi causado pela munição de um policial. 

"Esse é o sangue do nosso povo?", questionou um manifestante, enquanto filmava uma poça de sangue nas ruas do Teerã. Em outros registros publicados nas redes sociais, que não puderam ser verificados, sons de disparos podem ser ouvidos em protestos na praça Azadi, na capital, e na cidade de Shiraz.

Um dos principais locais de protesto nesse domingo foi o entorno da Universidade de Tecnologia de Sharif, no Teerã, onde as pessoas se reuniram para uma vigília em homenagem às vítimas do Boeing 737. De acordo com a universidade, ao menos 13 estudantes e ex-alunos foram mortos quando o avião foi abatido pelo governo iraniano na última quarta. 

Em um comunicado oficial veiculado na TV iraniana, o chefe da polícia de Teerã Hossein Rahimi negou que oficiais tenham feito disparos contra manifestantes e disse que eles estão sob a ordem de agir com moderação. 

"A polícia tratou as pessoas que se reuniram com paciência e tolerância”, disse Rahimi, de acordo com a Associated Press. "A polícia não atirou nas aglomerações, uma vez que agir com mente aberta tem sido uma ordem às forças da capital."

Moradores reportaram presença massiva de agentes de segurança no centro do Teerã, durante a manhã desta segunda, incluindo policiais e oficiais não-uniformizados. Em um dos vídeos, é possível ver policiais de choque aglomerados próximo à praça Vali-e Asr.

"Os trechos da rua Enghelab à praça Azadi estão repletos de oficiais de segurança," disse Sahar, 32, residente de Teerã. Assim como outros iranianos entrevistados, ela se recusou a dizer seu nome completo com medo de ser retaliada pelo governo iraniano.

Em novembro, agentes de segurança do Irã reprimiram brutalmente protestos e mataram ao menos 200 manifestantes que reivindicavam a cessão de cortes nos subsídios de combustível no país. O governo de Donald Trump, por sua vez, estimou um número maior de mortos naquele período, chegando a 1.500 pessoas mortas por agentes de segurança.

Os oficiais da polícia “começaram a arrastar as pessoas. Eles pegaram um número de manifestantes e os colocaram em jaulas nas viaturas”, disse a arquiteta Soudabeh, de 35 anos. “Em determinado ponto, os manifestantes conseguiram libertar um dos homens que estavam presos. Eu vi o rosto dele e estava coberto de sangue - a família dele o levou embora”, completou. 

Outro vídeo filmado na mesma universidade nesta segunda mostrou estudantes novamente bradando gritos de protesto contra o governo: “Eles mataram nossas elites e as substituíram por um governo liderado pelo clero”. 

A fúria contra o governo do Irã marcou uma reviravolta inesperada para os líderes em Teerã, depois que centenas de milhares de cidadãos iranianos foram às ruas lamentar o assassinato do general Qassim Suleimani

Policiais e a mídia estatal pediram desculpas após terem falhado na divulgação da queda. O sistema de defesa do Irã também foi colocado em alto alerta, com a expectativa de um novo ataque dos Estados Unidos, de acordo com os oficiais de segurança do país. 

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