Termina cirurgia para separar siamesas guatemaltecas

Em uma arriscada cirurgia de 20 horas, médicos conseguiram separar hoje duas gêmeas siamesas guatemaltecas que estavam unidas pela cabeça. Segundo o doutor Houman Hemmati, que participou da operação, tudo indica que a separação das irmãs Maria Teresa e Maria de Jesus Quiej-Alvarez tenha sido um êxito. "A situação era de muito otimismo, reinava a alegria e estamos impacientes para que ambas as irmãs comecem a brincar, rir e jogar como meninas normais", afirmou Hemmati à rede de televisão americana NBC. Dan Page, porta-voz do Mattel Children´s Hospital (hospital infantil) da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, onde ocorreu a cirurgia, confirmou que as siamesas foram separadas, mas não deu detalhes, afirmando apenas que a operação ainda estava em curso. Os pais das meninas, Wenceslao Quiej López e Alba Leticia Alvarez, estavam nervosos e beijaram suas filhas antes do início da operação. "As meninas sorriam muito e estavam brincalhonas", contou a porta-voz do centro médico do hospital, Roxanne Moster. Segundo Hemmati, uma das meninas perdeu muito sangue e foi preciso realizar várias transfusões, "mas agora ela passa bem". A operação começou ontem à tarde (horário local), cerca de seis horas. As meninas, nascidas na zona rural da Guatemala, estavam unidas pela parte superior do crânio em direções opostas. Casos como esses ocorrem em menos de um por um milhão de nascimentos vivos. "Nosso objetivo é conseguir que ambas deixem o hospital caminhando, ou pelo menos, se não andando, gatinhando", disse o doutor Henry Kawamoto, especialista em cirurgia plástica e de reconstrução, que também participou da equipe médica, momentos antes de entrar na sala de operação. Segundo o neurocirurgião Itzhak Fried, a parte mais arriscada da cirurgia seria a separação das veias que unem as siamesas pela cabeça. "Uma vez que essas áreas ficarem expostas, teremos que desconectar ambos os sistemas. A maior dúvida é como os cérebros suportarão a separação", afirmou antes da cirurgia. Caso os médicos não conseguissem redirecionar o sangue ao cérebro de cada siamesa, qualquer uma delas poderia correr o risco de ser vítima de uma apoplexia, acrescentou Fried. Embora ambas compartilhassem o mesmo tecido ósseo e vascular, seus cérebros são completos e independentes. Nas últimas décadas, apenas cinco separações cranianas foram realizadas, e todos os siameses sobreviveram. O grupo filantrópico Healing the Children organizou a viagem das siamesas guatemaltecas a Los Angeles para que pudessem se submeter à cirurgia. O custo total da operação foi de US$ 1,5 milhão.

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