Termina contagem dos votos da eleição no Zimbábue

Presidente Robert Mugabe, único candidato do pleito, deve ser anunciado vencedor neste sábado ou domingo

Agência Estado e Associated Press,

28 de junho de 2008 | 18h46

A Comissão Eleitoral do Zimbábue concluiu a contagem dos votos do segundo turno da eleição presidencial, ocorrido na sexta-feira, e o resultado final poderia ser divulgado na noite de sábado, 28, ou no domingo, disse o porta-voz Utloile Silaigwana. O ministro da Justiça, Patrick Chinamasa, afirmou que "pelas informações que vão chegando, parece que houve uma vitória clara do nosso presidente" - Robert Mugabe, de 84 anos, que foi o único candidato no segundo turno, depois de a oposição se retirar da disputa em protesto contra uma onda de violência promovida pelo governo. Veja também:Cresce pressão externa contra Mugabe e Bush ameaça sançõesONU 'lamenta' realização de eleição no ZimbábueBaixa participação e denúncias marcam eleições no ZimbábueTsvangirai: de líder sindical a inimigo do regime Mugabe: uma história de três décadas no poder Em Washington, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, denunciou o governo de Mugabe como "ilegítimo" e disse que orientou os secretários de estado, Condoleezza Rice, e do Tesouro, Henry Paulson, a prepararem uma nova série de sanções contra o Zimbábue, em reação à farsa eleitoral e à violência contra oposicionistas.  "Vamos pressionar por medidas fortes por parte das Nações unidas, incluindo um embargo ao fornecimento de armas para o Zimbábue e o banimento de viagens internacionais por funcionários do governo", afirmou Bush. O presidente dos EUA também declarou, em comunicado divulgado em seu retiro de fim de semana em Camp David, que "o regime de Mugabe promoveu uma eleição farsesca, que ignorou a vontade do povo do Zimbábue.  A comunidade internacional já condenou a campanha cruel de violência politicamente motivada e de intimidação por parte do regime de Mugabe com uma voz forte e unificada, que deixa claro que a eleição de ontem não foi justa, nem livre." Em Harare, o chefe da missão de observadores eleitorais do Parlamento Pan-Africano, Marwick Khumalo, disse que a participação do eleitorado no segundo turno da eleição foi "muito, muito baixa", ao contrário do que disse a mídia oficial.  Segundo Khumalo, muitos dos eleitores que compareceram votaram nulo, escrevendo nas cédulas o nome do candidato oposicionista Morgan Tsvangirai, que havia se retirado da disputa depois de uma onda de violência patrocinada pelo governo contra os militantes do Movimento Democrático pela Mudança (MDC), o partido da oposição. Tsvangirai havia sido o mais votado no primeiro turno, em maio, quando houve quatro candidatos; na eleição paro Congresso, uma coalizão de partidos oposicionistas liderada pelo MDC obteve maioria, desalojando o partido Zanu-PF, de Mugabe, pela primeira vez desde 1980. Seis dos ministros do governo Mugabe não conseguiram reeleger-se como deputados. Intimidação Moradores de Harare disseram que foram forçados a comparecer às urnas na sexta-feira, sob ameaça de violência ou de terem suas casas queimadas. Partidários de Mugabe chegaram a fazer buscas de casa em casa, à procura de pessoas que não tivessem um dedo da mão manchado com tinta - comprovante de que o eleitor votou, e também uma medida para impedir que um mesmo eleitor vote duas vezes. "Houve muita intimidação. Dava para ver que as pessoas só foram para ficar com o dedo manchado, de modo a se proteger dos vândalos", disse Khumalo. O governo do Zimbábue recusou-se a permitir a presença de observadores ocidentais na eleição, convidando apenas representantes de países "amigos" - como a Suazilândia, que enviou o advogado Khumalo e outros 20 observadores. Além de Bush, a lista dos líderes internacionais que condenaram a eleição do Zimbábue como farsesca inclui o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, e os presidentes de Burundi, Quênia, Ruanda, Tanzânia e Uganda.

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