Termina em impasse o diálogo sobre a crise política em Honduras

Arias pede 72 horas para tentar acordo e evitar ?guerra civil?; Zelaya anuncia regresso e organiza ?resistência?

Efe, AFP e AP, SAN JOSÉ, O Estadao de S.Paulo

20 de julho de 2009 | 00h00

Terminaram ontem em impasse as negociações sobre a crise política de Honduras, desatada pelo golpe de Estado do dia 28. Reunidos na Costa Rica sob a mediação do presidente costa-riquenho, Oscar Arias, representantes do governo deposto e do governo de facto hondurenho não chegaram a um acordo em um ponto fundamental: a volta do presidente deposto Manuel Zelaya ao poder. Arias pediu um prazo de mais 72 horas para tentar obter um acordo e disse que a alternativa à negociação seria "uma guerra civil e o derramamento de sangue".Horas depois do fim da reunião, Zelaya anunciou que planeja voltar a Honduras no fim de semana e anunciou que a partir de agora está empenhado em "organizar a resistência interna" hondurenha.Em Washington, o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, alertou para "o risco de que a crise saia dos trilhos", provocando mais violência. Insulza anunciou que a comissão permanente da OEA se reunirá hoje e a organização pretende "ampliar a pressão" sobre o governo golpista.Uma proposta de sete pontos apresentada pelo presidente costa-riquenho no sábado incluía o retorno de Zelaya ao cargo e sua permanência até o término de seu mandato, em janeiro. Em troca, o presidente deposto deveria desistir da consulta popular sobre a emenda constitucional que permitiria a reeleição.Também seria formado um governo de conciliação e os crimes políticos cometidos antes e depois do golpe seriam anistiados.A proposta aparentemente agradou Zelaya, que exigia voltar ao poder de forma incondicional. Ele aceitou o governo de conciliação, mas, apesar de sua delegação dizer que desistiu da consulta popular, fez declarações à imprensa que sugeriam o contrário. Os representantes do governo de facto fizeram ressalvas maiores às propostas de Arias. "Sinto muito, mas as propostas que você apresentou são inaceitáveis. Também são uma lamentável desnaturalização da mediação", disse o chanceler do governo de facto, Carlos López. Em contraproposta, os golpistas propunham aceitar o retorno de Zelaya e diziam que a única garantia que poderia ser dada ao presidente deposto era a de um "julgamento justo". As discussões acabaram em troca de acusações entre os dois lados.Ontem, o presidente de facto Roberto Micheletti prorrogou o toque de recolher. Aliados de Zelaya convocaram uma greve geral para quinta e sexta-feira. A chanceler do governo deposto, Patrícia Rodas, que estava na Nicarágua participando das comemorações dos 30 anos da Revolução Sandinista, conclamou novas manifestações. DIVERGÊNCIAS Regresso - Governo autoproclamado se recusa a aceitar que o presidente deposto volte ao poder e termine o mandato, programado para até 27 de janeiro Transição - Zelaya aceita fazer parte de um eventual governo transitório de conciliação composto por representantes dos principais partidos políticos hondurenhos, mas o governo autoproclamado diz que não participará de nenhuma coalizão que seja encabeçada por Zelaya Anistia - Depois de ter acenado positivamente com a possibilidade de uma anistia política a Zelaya, os golpistas voltaram a dizer que, se voltar a Honduras, o presidente deposto será levado à Justiça e responderá por pelo menos 15 crimes cometidos antes do golpe de Estado

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