Termina estado de emergência no Paquistão, insatisfação continua

Apesar de o governo ter encerrado oestado de emergência no Paquistão, muitos políticos, eleitorese a mídia disseram no domingo que o presidente Pervez Musharrafcontinua entrincheirado no poder e deve manipular as eleiçõesdo mês que vem a seu favor. Uma série de emendas e ordens aprovadas no sábado junto coma restauração da Constituição estipulavam que os tribunais nãopodem desafiar as ações de Musharraf durante o estado deemergência, e protegem o status legal de sua reeleição comopresidente. Para os críticos do presidente, esta foi mais uma prova deque o impopular Musharraf, que chegou ao poder por meio de umgolpe em 1999, quer se perpetuar no poder ao manipular avitória de seus aliados nas eleições parlamentares de 8 dejaneiro. "Ele é um ditador que toma atitudes ilegais", disse o líderda oposição, Nawaz Sharif, que voltou ao Paquistão após anos deexílio. O outro principal líder da oposição, a ex-primeira-ministraBenazir Bhutto, comemorou o fim do estado de emergência masafirmou que "é preciso fazer mais pela restauração dademocracia". Citando a violência de militantes e a ingerência doJudiciário, Musharraf suspendeu a Constituição em 3 de novembroe fez expurgos na Suprema Corte do país para afastar juizes quedesafiavam sua reeleição, depois confirmada pelos novosintegrantes. Os países ocidentais criticaram as ações de Musharraf,temendo que ele polarize ainda mais o Estado nuclearmentearmado e deixe um vácuo que pode ser preenchido por militantesislâmicos que fazem uma insurgência perto da fronteira com oAfeganistão. Vários juízes da Suprema Corte e advogados permaneciam emprisão domiciliar no domingo, e ainda há proibição detransmissão de programas ao vivo sobre as eleições ou decrítica ao governo. Um dos maiores canais do país está fora doar por ter desafiado o governo.

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