Murtaja Lateef/EFE
Murtaja Lateef/EFE

Termina o cerco de milícias do Iraque à embaixada dos Estados Unidos em Bagdá

Retirada ocorreu após Washington enviar tropas adicionais e ameaçar impor represálias contra Teerã; trégua trouxe alívio aos diplomatas presos e afastou um possível confronto entre americanos e iranianos

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de janeiro de 2020 | 19h38

BAGDÁ - Após invadir o perímetro da embaixada americana, queimar um prédio e atirar pedras durante dois dias, milícias iraquianas apoiadas pelo Irã se retiraram do local nesta quarta-feira, 1º. A retirada, ocorrida depois de Washington enviar tropas adicionais e ameaçar impor represálias contra Teerã, trouxe alívio aos diplomatas presos e afastou um possível confronto entre EUA e Irã.

As manifestações começaram após ataques aéreos americanos contra o grupo Kataib Hezbollah, apoiado por Teerã, terem matado no domingo pelo menos 25 pessoas. A ação americana veio em retaliação a disparos de mísseis que mataram um funcionário de segurança terceirizado dos EUA no norte do Iraque, na semana passada.

Nos enfrentamentos de ontem, as forças dos EUA, posicionadas nos telhados, jogaram gás lacrimogêneo contra ativistas que atiravam pedras. No meio da tarde (manhã de ontem em Brasília), a maioria dos manifestantes obedeceu ao pedido de retirada emitido pelo Forças de Mobilização Popular, grupo majoritariamente de milícias xiitas. Jovens então usaram galhos de palmeiras para varrer as ruas à frente da embaixada, enquanto outros guardavam equipamentos e vans chegaram para levar as pessoas embora.

Os protestos marcam um novo momento da disputa entre Washington e Teerã no Oriente Médio. O presidente americano, Donald Trump, ameaçou na terça-feira atacar o Irã, logo após a multidão atear fogo e quebrar câmeras de vigilância. O grupo violou o perímetro externo da embaixada, sem entrar no complexo principal. Posteriormente, Trump afirmou que não queria guerra com Irã.

Autoridades dos EUA afirmaram que 750 militares adicionais ficariam baseados no Kuwait e até 4 mil homens poderiam ser enviados à região nos próximos dias. As Forças armadas dos EUA já haviam divulgado fotografias mostrando um contingente de cerca de 100 fuzileiros navais desembarcando nos terrenos da embaixada para reforçar a força de proteção.

A embaixada, construída às margens do Rio Tigre na fortificada “Zona Verde” no centro de Bagdá, durante a ocupação americana depois da invasão de 2003 que derrubou Saddam Hussein, é a maior missão diplomática americana no mundo.

A ação anti-EUA aconteceu após meses de protestos no Iraque contra o governo e as milícias sob influência iraniana. Muitos iraquianos reclamam que o seu país se tornou um terreno para uma guerra indireta por influência entre Washington e Teerã. O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, condenou ontem os ataques dos EUA.

Trump conversou com o primeiro-ministro Adel Abdul Mahdi, na terça-feira, e exigiu que o Iraque protegesse a embaixada. Mahdi, que anunciou planos de renunciar diante de protestos antigoverno nos quais mais de 450 pessoas morreram, é apoiado pelo Irã e seus aliados.

Apesar de décadas de inimizade entre Irã e EUA, milícias apoiadas pelo Irã e forças americanas se viram do mesmo lado durante a guerra do Iraque de 2014 a 2017 contra o Estado Islâmico, com as duas potências ajudando o governo a recuperar território dos militantes que chegaram a controlar um terço do Iraque. Desde então, tropas dos EUA ainda não foram embora e as milícias apoiadas pelo Irã foram incorporadas às forças de segurança. / W. POST E REUTERS

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