Termina prazo dado ao Hamas para responder ao plano do presidente egípcio

O movimento islâmico Hamas tem prazo até este domingo para responder a um plano do presidente egípcio, Hosni Mubarak, destinado a solucionar a crise desencadeada pela captura e seqüestro há uma semana do soldado israelense Guilad Shalit por milicianos desse e de outros dois grupos.O prazo foi dado ao primeiro-ministro da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Ismail Haniye, e a outros dirigentes do Hamas na Faixa de Gaza, além de líderes políticos domiciliados em Damasco, liderados por Khaled Mashaal.Haniye, cujo escritório foi atacado nesta madrugada (horário local) por um helicóptero israelense, disse, por meio do porta-voz Ghazi Hamad, que as gestões para solucionar a crise - que afeta grande parte da população civil em Gaza - estão estagnadas e responsabilizou Israel por se negar a libertar mil prisioneiros palestinos.Por enquanto, após o impacto produzido pelo ataque contra o escritório de Haniye, e como seus ministros estão praticamente na clandestinidade, não se sabe a reação às notícias sobre o suposto prazo de 48 horas dado por Mubarak. "O presidente Mubarak falou com o presidente sírio, Bashar al-Assad, a quem sugeriu que pressione (os dirigentes do Hamas residentes em Damasco) para que aceitem sua proposta", disseram as fontes palestinas.A proposta egípcia consiste na libertação imediata do soldado israelense, em troca Israel libertaria prisioneiros em um futuro próximo. O plano não menciona quando os prisioneiros serão libertados, nem quantos serão. A princípio, o Hamas rejeitou a proposta de Mubarak, pois não confia no governo israelense. Em vista disso, o presidente egípcio ofereceu garantia pessoal.NegociaçõesOs prisioneiros que ficariam em liberdade, segundo informações sobre o plano de Mubarak reveladas à imprensa, seriam os que já estão perto de terminar a sentença à qual foram condenados por tribunais militares.O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, e o ministro da Defesa israelense, Amir Peretz, deviam informar neste domingo ao Conselho de Governo sobre o andamento da operação militar Chuva de Verão em Gaza, desencadeada após o seqüestro de Shalit. Também devem informar sobre os contatos com o presidente Mubarak.Segundo fontes palestinas, o presidente Assad disse a Mubarak que os líderes do Hamas "não têm nenhuma ligação com o seqüestro do soldado", e que as decisões "devem ser tomadas pelo braço armado do movimento", as Brigadas de Izz al-Din al-Qassam. No entanto, os representantes do Hamas que negociam com os emissários de Mubarak em Gaza sustentam que a liderança no exílio sírio deve tomar uma decisão.Fontes palestinas disseram que o chefe dos serviços secretos egípcio, Omar Suleiman, falou por telefone com Mashaal, a quem Israel atribui ter dado a ordem de capturar o soldado, e que o líder palestino disse que aconselhou os chefes dos "batalhões" a aceitarem a proposta de Mubarak.Os resultados de uma pesquisa divulgada na sexta-feira passada pelo jornal "Yediot Aharonot" afirma que a maioria dos israelenses é a favor da troca do soldado Shalit por prisioneiros palestinos, enquanto o governo de Olmert exige sua libertação "incondicional".

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