Termina prazo do Taleban para troca de reféns sul-coreanos

Seul descarta ação militar para resgatar os 21 seqüestrados; radicais exigem libertação de presos do grupo

Efe,

01 de agosto de 2007 | 07h37

O prazo dado pelos seqüestradores de 21 sul-coreanos no leste do Afeganistão terminou às 4h30 de Brasília desta quarta-feira, 1, sem notícias sobre os reféns, enquanto o governo de Cabul e Seul intensificaram os esforços para conseguir a libertação.   Veja Também Assista ao vídeo  Familiares não acreditam que reféns sul-coreanos sobrevivam Polícia encontra corpo de segundo sul-coreano executadoRefém alemão do Taleban pede ajuda em vídeo da Al-Jazira   O chefe do Serviço Nacional de Inteligência da Coréia do Sul, Kim Man-bok, descartou uma operação militar para resgatar os 21 reféns seqüestrados há duas semanas no Afeganistão por insurgentes taleban, informou a agência Yonhap.   O chefe da espionagem sul-coreana deu sua opinião horas antes de vencer o mais recente ultimato imposto pelo Taleban. Eles ameaçaram executar mais reféns se até as 4h30 (de Brasília) desta quarta o governo afegão não libertasse insurgentes presos.   O Taleban fixou o último prazo nesta terça-feira, horas depois de a Polícia encontrar o corpo de Shing Sung-min, de 29 anos, o segundo refém executado. Segundo os seqüestradores, o sul-coreano foi morto porque o governo não tinha respondido "positivamente" a suas exigências.   Na última quarta-feira, os radicais já tinham executado Bae Hyung-kyu, de 42 anos, líder dos 23 voluntários cristãos sul-coreanos seqüestrados no dia 19 de julho.   Negociações   A televisão pública japonesa NHK informou nesta quarta que 200 soldados especializados foram deslocados de Cabul para a província de Ghazni. A movimentação poderia estar relacionada com o eventual lançamento de uma operação militar para libertar os reféns sul-coreanos.   Os insurgentes reivindicam a libertação de vários presos talibãs da prisão de Pul Charkhi, no leste de Cabul, em troca dos sul-coreanos que mantêm seqüestrados há quase duas semanas.   As autoridades de Seul e de Cabul aumentaram os contatos para tentar obter a libertação dos reféns. Num encontro com membros de um comitê parlamentar, Kim disse que a milícia que seqüestrou os missionários foi identificada. O grupo se chama Abdullah, é formado por 150 insurgentes e sua base fica em Ghazni.   Kim disse ainda que os 21 reféns estão em nove povoados das três localidades da província. Os taleban deslocam os reféns entre diferentes pontos para evitar a perseguição das forças do governo afegão.   O chefe da inteligência defendeu uma diversificação dos canais de contatos com o grupo armado para evitar mais vítimas.   Enquanto isso, Seul intensifica seus esforços diplomáticos. O ministro de Relações Exteriores, Song Min-soon, pedirá a cooperação da comunidade internacional no Fórum Regional da Asean (ARF), nesta quinta-feira, em Manila. O líder da equipe afegã de mediadores, Waheedullah Mujadedi, afirmou nesta quarta que uma equipe sul-coreana entrou em contato com eles para tentar fazer com que os taleban permitissem que o grupo veja os reféns.   "Uma delegação sul-coreana nos contatou hoje, queriam ver os reféns coreanos. Nós contatamos o Taleban, mas até agora não aceitaram deixá-los ver os seqüestrados", disse Mujadedi, sem dar mais detalhes.   Questão internacional   Na Coréia do Sul, as forças políticas pediram que Washington e Cabul modifiquem sua postura na negociação para a libertar os seqüestrados, informou a televisão sul-coreana YTN. Até agora, o Executivo afegão se negou a ceder aos pedidos que os rebeldes colocaram como condição para a libertação dos reféns.   O comunicado emitido pelas cinco forças políticas - incluindo o governamental Partido Uri e o principal opositor, o Grande Partido Nacional - pede que Cabul renuncie a seus princípios de não fazer concessões ao grupo armado, para que não haja mais vítimas fatais entre os reféns.   O governo afegão insistiu através do Ministério do Interior em que está fazendo "tudo o possível" para obter a libertação dos sul-coreanos, mas dentro dos limites "das leis e da Constituição".   Os 23 sul-coreanos foram capturados há treze dias na província afegã de Ghazni, no maior seqüestro de um grupo estrangeiro no Afeganistão desde a queda do regime Taleban.

Tudo o que sabemos sobre:
Coréia do SulseqüestroAfeganistão

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.