Termina recontagem de votos no México, mas resultado não é divulgado

A recontagem parcial dos votos das eleições mexicanas terminou nesta segunda-feira, mas o Tribunal Eleitoral do Poder Judicial da Federação (TEPJF) vai analisar cada caso e decidir dentro dos próximos dias se procede ou não anular algumas das mesas eleitorais.Fontes do alto tribunal disseram que a recontagem feita "pela primeira vez no México", sob vigilância de 192 juízes e magistrados, transcorreu dentro do previsto.Na semana passada ficou decidido que cada resultado seria enviado aos magistrados do TEPFJ e não seria divulgado publicamente, já que o procedimento faz parte de uma diligência dentro de um caso que ainda vai ter seu final definido.Apesar da reserva, os partidos políticos que participaram das eleições fizeram suas primeiras estimativas em relação ao que foi informado por seus observadores.O representante da coalizão "Pelo bem de todos", Horácio Duarte, sustentou em entrevista a emissora local que a nova parcial com pouco mais de 9% das mesas eleitorais instaladas no dia 2 de julho "modifica de maneira evidente o resultado".Duarte, representante no Instituto Federal Eleitoral (IFE) da coalizão de Andrés Manuel López Obrador, afirmou que as "modificações nos resultados" em um balanço preliminar com 81% das mesas revisadas fariam com que Felipe Calderón, do Partido da Ação Nacional (PAN), perdesse 14.140 votos.Segundo o jornal mexicano Reforma, Duarte afirma que "no caso da coalizão, perdemos 6.731 e ganhamos 6.843 votos, o que nos deixa com um saldo positivo de 112; enquanto que o partido Alternativa foi o que recuperou mais votos".O líder reiterou ainda que no dia 16 de setembro os partidos que integram a coalizão definirão sua estratégia de longo prazo na Convenção Nacional Democrática, convocada por Obrador.A recontagem final ordenada pelo IFE outorgou uma vantagem final de 243.934 votos (0,58% do total) a Calderón, a frente de López Obrador, do Partido da Revolução Democrática (PRD) e seus aliados.Entretanto, Duarte sustentou que há mais ou menos cédulas do que deveria haver em quase 7.914 mesas eleitorais submetidas ao resultado parcial, o que faz com que elas estejam suscetíveis à anulação.Possíveis anulaçõesSegundo o representante da coalizão de esquerda, se os magistrados optarem por anular as mesas "haveria uma modificação substancial nos resultados eleitorais do país e uma mudança do vencedor".Também nesta segunda-feira, o secretário geral adjunto do PAN, César Nava, fez uma outra leitura dos resultados: "O triunfo de Felipe Calderón foi incontestável. Tivemos uma diferença mínima que impede a recontagem", afirmou.Para Nava, a recontagem deixou no ar e pendente de análises somente 1.500 votos que são decisivos "seja a favor de López Obrador ou de Felipe Calderón".Independente desta diferença motivada por "erros mínimos", o representante do PAN defendeu a atuação de quase um milhão de cidadãos cujo modo de contar foi questionado pela esquerda."Encontramos em 98% das urnas, em termos absolutos e gerais, que não há erros significativos, e somente em 2% das urnas há erros de mais de cinco votos", indicou.Para Nava, os erros estão "equilibrados, a favor ou contra um dos candidatos", sem que tivesse "um padrão de conduta contra algum deles", como alegou a coalizão esquerdista "Pelo bem de todos".Felipe Solís, representante do Partido Revolucionário Institucional (PRI), também comentou os resultados, afirmando que "as modificações que se produziram não são resultados significativos nem espetaculares como em algum momento se pensou"."Mesmo que ainda tenhamos pendente o conhecimento dos números correspondentes, o que fica claro é que, a nosso juízo, da recontagem se entende que não tivemos mudanças espetaculares nos números, nem se comprovou a hipótese da perfeição dos resultados", disse.Solís admitiu que haverá mudanças mas só em "casos de exceção" que os sete magistrados do mais alto tribunal eleitoral mexicano deverão analisar devidamente.O TEPJF tem até o dia 31 de agosto para decidir as contradições sobre o processo eleitoral e até dia 6 de setembro para decidir se valida ou não as eleições.

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